Perto do poço onde as senhoras tiravam água, Miosóte corria atrás de borboletas. Ela amava todos os animais da floresta . Enquanto a mãe lava as roupas, ela não dava descanso às boletos e aos pássaros. A sua mãe lhe ensinara a pintar a cara. Dizia que era para esconder a sua beleza dos homens. Não podia passar perto dos garotos que elês a chamavam de minhoca da terra, e de caída dentro do fogo. O pó de arroz misturado com a cinza e água, deixava o seu rosto como se alguém tivesse jogado água quente. Em casa, a mãe tirava - lhe a as escamas do rosto, antes que o pai chegasse, nem o pai conhecia a beleza da filha. Olhos azuis, pele de pêssego, cabelos louros e longos. Parecia um querubim. Se ouvisse barulho de alguém chegando, imediatamente entrava com ela no banheiro e colocava a máscara de volta.
No ano que completara quinze anos, a sua mãe estava cozinhando, passou mal e morreu. Tinha prometido à mãe que jamais deixaria de usar o pó de arroz com as cinzas. Que só se revelaria àquele que arrebatasse o seu coração. Cuidava da casa, tirava o leite das vacas, cortava lenha e ainda ajudava o pai no plantio de trigo. Era amada por todos, mas nenhum homem se mostrava interessado por ela.
Miosóte estava limpando a casa quando se lembrou da última semana com a mãe:---Prometa - me que nunca sairá de cara limpa pela rua? ---Hi mãe, claro que sim!----Vem! ---Puxou-a até o seu quarto. No canto havia um baú coberto com uma toalha xadrez. Ela abriu-o, retirou de dentro dois vestidos e os colocou em cima da cama:----Este aqui e azul da cor do céu com todas as estrelas.----Pegou o outro:-----Este representa a pureza, a honra e a sensibilidade. Por isso é tudo branco sem detalhe nenhum. ----E do fundo retirou um par de sapatos feitos de couro de jacaré:-----É para ti, mas só para quando completar vinte anos. O azul para celebrar as suas bodas e o banco, para quando for se casar. Jura que nem seu pai saberá de nada até a hora...quando a hora chegar. -----Miosote estava sem palavras. Jamais imaginária uma coisa assim. E jurou muitas vezes. Beijou as mãos dela e jurou novamente. ---De volta à realidade, encostou a vassoura na parede. Entrou em seu quarto, abriu o baú, passou a mão pelo vestindo. Riu, se lembra da mãe puxado o baú para o seu quarto depois de ter mostrado tudo à ela. Ali o bau servia de banco, para sentar. Ela falou alto:----Nunca, nunca vou poder usar esses vestidos. O meu pai não vai permitir. Ele vive dizendo que feia do jeito que eu sou homem nenhum vai querer me cortejar. Não, prometi a ela que nunca.----Ouve o pai gritando, tampa o baú e vai correndo para a cozinha.
Chegou o dia, Miosóte estava em seu quarto experimentando o vestido azul. Cabelos soltos, pareciam fios de ouro. A pele do rosto se assemelhava a um pêssego maduro. Ela olhava o seu rosto em um pedaço de alumínio redondo. Só podia fazer isso as escondidas. Estava tão entretida em seu estado de graça, que não viu o pai entrar. Estava ali há um bom tempo obsevando-a a se olhar no pedaço de alumínio. Não teve coragem de fazer quaisquer ruído que fosse para alerta-la. Quando ela se voltou e viu o pai a obseva-la, levantou o vestido e saiu correndo passando por ele bobo parado na porta. Ele não teve reação se quer gritou, de tão enfeitiçado que ficara. Quando voltou a se, Miosote toca-lhe no braço e pergunta:---O senhor voltou sedo hoje? ---Foi como sair do céu e cair no inferno nos braços do poderoso de lá. Ele encarou a cara enrugada dela e disse:---Diz para a sua amiga que não maltrato mulheres. Não precisava sai correndo daquele jeito.
Daquele dia em diante, ele não falava outra coisa, a sua alma tinha se prendido a alma daquela mulher. Perguntava à Miosote quando ela a visitaria novamente,de onde ela era. De tanto ele falar da tal mulher, Miosote foi ficando triste, ficando triste. Chorva,pois o pai não parava de falar da mulher que roubara o seu coração. O pai muito menos sabia o porque de tantas lágrimas. Ela fazia tudo em casa, e quando se lembrava do que dissera o pai, se derramava em lágrimas.
Uma tarde fora apanhar água no poço que ficava distante de sua casa. Mulheres, crianças e jovens buscavam água para abastecer a sua casa no poço, os homens para os animais. Miosote estava olhando para dentro do poço, e as suas lágrimas caiam dentro dele. Puxou a corda com o balde cheio d’água, encheu o seu pote e quando foi coloca-lo na cabeça, viu uma senhora rindo para ela. A mulher se aproximou e disse:---Uma moça tão bonita, não devia se martirizar por tão pouco.--Miosote deixou o pote no mesmo lugar, olhou para ela por um bom tempo:----A senhora não está falando de mim. Olha para o meu rosto. Olha para o trapo que sou. Sou a mais odiada das criaturas:----Não, não diz isso!----A mulher se aproximou e a abraçou:---O meu pai está do jeito que está, é por minha culpa. Se tivesse ouvido a minha mãe isto não estava acontecendo:-----Quem pode prever. Se não usasse o que usa sofreria do mesmo jeito. -----Ela levou um choque. Como a mulher sabia uma coisa que só ela e a mãe sabia:----Não se assuste! Amanhã por volta da meia noite, esteja preparada, uma carroça parará nos fundos de sua casa. Pegue o baú que a sua mãe deixou e se prepare. Do jeito que está, saia. O condutor a levará para longe do teu pai. Não se preocupe, nem se assuste.-----Depois de dizer isto, se afastou. Quando Miosote se virou para responder, ela tinha sumido.
Dentro do seu coração havia calma, havia paz. As lágrimas cessaram, a dor passou. Foi como se um gomo tivesse se soltado do tempo. Fez o que tinha que fazer para o pai. Não mudou nada. Fez tudo que a mulher mandara fazer. A meia noite em ponto bate à porta. Ela podia ouvir da sala o ronco do pai. Abriu a porta, um homem baixinho de idade avançada entrou sem dizer uma palavra. Foi até o quarto, pegou o baú e o colocou dentro da carroça cheia de palha. Em silêncio, ela ainda deu uma última olhada para a porta do quarto do pai. Seguiu o desconhecido, subiu na parte da frente e sentou perto dele, ele chioteou o cavalo e a carroça seguiu. Os galos cantaram em muitos lugares, a carroça sumiu na escuridão da curva.
O dia começava a amanhecer. O condutor deu um leve puxão em seu braço. Ela dormia encostada no ombro dele. Abriu os olhos e ficou paralisada com o que vira. A névoa cobria a metade do rio em volta do castelo. Os cascos do cavalo fazia barulho em cima das tábuas da ponte, quando estava diante do portão, ele foi aberto e a carroça entrou. Havia guardas por todos os lados. O cavalo parou, o condutor desceu e aparou - a nos braços, a colocou no chão. Pegou o baú,foi andando e ela o seguiu pelo corredor do castelo. Desceu uma escada e parou diante de uma porta, abriu-a e entrou. Colocou o baú no canto e a mandou se deitar em uma cama espaçosa, ela obedeceu, ele saiu e cerrou a porta.
Ela acordou com uma senhora gorda e grande a observa - lá. Havia uma bandeja com comida em cima de uma mesa com quatro cadeiras. A mulher riu para ela, fez gesto para que se levantasse e comesse, assim ela o fez. Quando terminou a mulher disse:----Vai fazer o serviço pesado, mas não tenha receio, é só no começo, depois que aprender o ofício, lhe dão uma coisa mais simples para fazer, vamos, agora que descansou e está de buxo cheio. ----Desceram uma escada, a mulher tinha lhe dado roupas de servente para vestir. Quando chegaram na cozinha. Uma senhora bem vestida, magra e alta, parou diante das duas, olhou para Miosóte demoradamente, pediu que abrisse a boca:----Serve, está em perfeito estado. Foi bem recomenda menina, não vai roer a corda. ----Ela olhou para a mulher e disse:----Coloque--a na limpeza, nada de moleza! Se não nos servir, volta para a sua vida monótona de antes. ---Ela não respondeu, a mulher a levou para um canto, deu - lhe vassoura e balde. A senhora magra alta saiu pela porta.
Trinta dias se passaram. As mulheres feito formigas entrando e saindo do formigueiro, iam dando forma aos quitutes em cima da mesa. Miosóte lavava e lavava o que iam colocando em cima da pia enorme. A senhora magra alta andava de um lado a outro dando ordens. A noite era noite de celebração pelo vigésimo aniversário do príncipe. Todo o castelo estava em alvoroço. A mulher magra queria ver tudo impecável. Nada poderia sair errado.
A noite chega, os convidados vão entrando pela porta principal. Miosote vestiu o seu vestido azul e se enfiou no meio dos convidados. Não havia nenhuma moça mais bonita do que ela. Antes que o baile começasse o príncipe não parava de olha-la. Todos queriam saber de onde surgiu uma moça tão bonita. E o príncipe dançou com ela até o momento que disse que ia embora. Ele não disse não, tirou de seu dedo o anel cravejado de pedras preciosas e a deu. Se virou e foi pegar algo para beber da bandeja que um garoto oferecia, quando se voltou, ela tinha sumido.
Na cozinha no dia seguinte, não se falava outra coisa. Um disse para um, que disse para outro, e assim foi a semana inteira. O príncipe começou a passar mal de amor, depois de ter mandado procurar por ela em tudo quanto é canto e nada de encontrar. Ninguém sabia mais o que fazer para salvá - lo. Não havia remédio que o curasse. Foi definhando, definhando, aí Miosote pediu a mulher magra para fazer algo para o príncipe comer, já que não se alimentava. A mulher zombando dela disse não. A senhora gorda disse que mal não havia de fazer. Com muito custo, a mulher deixou,e ela fez um bolo. Quando o bolo chegou no quarto do príncipe ele nem olhou. Depois de muito tempo, pediu ao jovem que ficava o tempo todo ao seu lado para o bolo, no primeiro movimento com a faca, viu que tinha algo duro, com jeito abriu o bolo e o anel caiu no chão chamando a atenção do príncipe que deu um grito e pulou da cama. Queria saber quem tinha feito o bolo. O jovem com medo de ser castigado,disse que alguém trouxera da cozinha. Ele ordenou que essa pessoa viesse imediatamente a sua presença.
Miosote entrou no quarto do príncipe, ele olhou para ela e o seu coração acelerou, seus olhos não entendia a visão presente:----Você fez este bolo? ----Sim. ----Não era possível, a pessoa não correspondia. Não era, não podia ser a mesma pessoa. Ela perguntou se podia entrar em seu banheiro. Ele apontou para o jovem que a acompanhou. Quando saiu de lá, cabelos soltos, rosto limpo, ele disse disse:----É você. --- Daquele momento em diante ele se curou, e o casamento foi feito com a lua testemunhando a fragrância dos sonhos, consumindo os ritos de amor.
Camuccelli.
FIM
No ano que completara quinze anos, a sua mãe estava cozinhando, passou mal e morreu. Tinha prometido à mãe que jamais deixaria de usar o pó de arroz com as cinzas. Que só se revelaria àquele que arrebatasse o seu coração. Cuidava da casa, tirava o leite das vacas, cortava lenha e ainda ajudava o pai no plantio de trigo. Era amada por todos, mas nenhum homem se mostrava interessado por ela.
Miosóte estava limpando a casa quando se lembrou da última semana com a mãe:---Prometa - me que nunca sairá de cara limpa pela rua? ---Hi mãe, claro que sim!----Vem! ---Puxou-a até o seu quarto. No canto havia um baú coberto com uma toalha xadrez. Ela abriu-o, retirou de dentro dois vestidos e os colocou em cima da cama:----Este aqui e azul da cor do céu com todas as estrelas.----Pegou o outro:-----Este representa a pureza, a honra e a sensibilidade. Por isso é tudo branco sem detalhe nenhum. ----E do fundo retirou um par de sapatos feitos de couro de jacaré:-----É para ti, mas só para quando completar vinte anos. O azul para celebrar as suas bodas e o banco, para quando for se casar. Jura que nem seu pai saberá de nada até a hora...quando a hora chegar. -----Miosote estava sem palavras. Jamais imaginária uma coisa assim. E jurou muitas vezes. Beijou as mãos dela e jurou novamente. ---De volta à realidade, encostou a vassoura na parede. Entrou em seu quarto, abriu o baú, passou a mão pelo vestindo. Riu, se lembra da mãe puxado o baú para o seu quarto depois de ter mostrado tudo à ela. Ali o bau servia de banco, para sentar. Ela falou alto:----Nunca, nunca vou poder usar esses vestidos. O meu pai não vai permitir. Ele vive dizendo que feia do jeito que eu sou homem nenhum vai querer me cortejar. Não, prometi a ela que nunca.----Ouve o pai gritando, tampa o baú e vai correndo para a cozinha.
Chegou o dia, Miosóte estava em seu quarto experimentando o vestido azul. Cabelos soltos, pareciam fios de ouro. A pele do rosto se assemelhava a um pêssego maduro. Ela olhava o seu rosto em um pedaço de alumínio redondo. Só podia fazer isso as escondidas. Estava tão entretida em seu estado de graça, que não viu o pai entrar. Estava ali há um bom tempo obsevando-a a se olhar no pedaço de alumínio. Não teve coragem de fazer quaisquer ruído que fosse para alerta-la. Quando ela se voltou e viu o pai a obseva-la, levantou o vestido e saiu correndo passando por ele bobo parado na porta. Ele não teve reação se quer gritou, de tão enfeitiçado que ficara. Quando voltou a se, Miosote toca-lhe no braço e pergunta:---O senhor voltou sedo hoje? ---Foi como sair do céu e cair no inferno nos braços do poderoso de lá. Ele encarou a cara enrugada dela e disse:---Diz para a sua amiga que não maltrato mulheres. Não precisava sai correndo daquele jeito.
Daquele dia em diante, ele não falava outra coisa, a sua alma tinha se prendido a alma daquela mulher. Perguntava à Miosote quando ela a visitaria novamente,de onde ela era. De tanto ele falar da tal mulher, Miosote foi ficando triste, ficando triste. Chorva,pois o pai não parava de falar da mulher que roubara o seu coração. O pai muito menos sabia o porque de tantas lágrimas. Ela fazia tudo em casa, e quando se lembrava do que dissera o pai, se derramava em lágrimas.
Uma tarde fora apanhar água no poço que ficava distante de sua casa. Mulheres, crianças e jovens buscavam água para abastecer a sua casa no poço, os homens para os animais. Miosote estava olhando para dentro do poço, e as suas lágrimas caiam dentro dele. Puxou a corda com o balde cheio d’água, encheu o seu pote e quando foi coloca-lo na cabeça, viu uma senhora rindo para ela. A mulher se aproximou e disse:---Uma moça tão bonita, não devia se martirizar por tão pouco.--Miosote deixou o pote no mesmo lugar, olhou para ela por um bom tempo:----A senhora não está falando de mim. Olha para o meu rosto. Olha para o trapo que sou. Sou a mais odiada das criaturas:----Não, não diz isso!----A mulher se aproximou e a abraçou:---O meu pai está do jeito que está, é por minha culpa. Se tivesse ouvido a minha mãe isto não estava acontecendo:-----Quem pode prever. Se não usasse o que usa sofreria do mesmo jeito. -----Ela levou um choque. Como a mulher sabia uma coisa que só ela e a mãe sabia:----Não se assuste! Amanhã por volta da meia noite, esteja preparada, uma carroça parará nos fundos de sua casa. Pegue o baú que a sua mãe deixou e se prepare. Do jeito que está, saia. O condutor a levará para longe do teu pai. Não se preocupe, nem se assuste.-----Depois de dizer isto, se afastou. Quando Miosote se virou para responder, ela tinha sumido.
Dentro do seu coração havia calma, havia paz. As lágrimas cessaram, a dor passou. Foi como se um gomo tivesse se soltado do tempo. Fez o que tinha que fazer para o pai. Não mudou nada. Fez tudo que a mulher mandara fazer. A meia noite em ponto bate à porta. Ela podia ouvir da sala o ronco do pai. Abriu a porta, um homem baixinho de idade avançada entrou sem dizer uma palavra. Foi até o quarto, pegou o baú e o colocou dentro da carroça cheia de palha. Em silêncio, ela ainda deu uma última olhada para a porta do quarto do pai. Seguiu o desconhecido, subiu na parte da frente e sentou perto dele, ele chioteou o cavalo e a carroça seguiu. Os galos cantaram em muitos lugares, a carroça sumiu na escuridão da curva.
O dia começava a amanhecer. O condutor deu um leve puxão em seu braço. Ela dormia encostada no ombro dele. Abriu os olhos e ficou paralisada com o que vira. A névoa cobria a metade do rio em volta do castelo. Os cascos do cavalo fazia barulho em cima das tábuas da ponte, quando estava diante do portão, ele foi aberto e a carroça entrou. Havia guardas por todos os lados. O cavalo parou, o condutor desceu e aparou - a nos braços, a colocou no chão. Pegou o baú,foi andando e ela o seguiu pelo corredor do castelo. Desceu uma escada e parou diante de uma porta, abriu-a e entrou. Colocou o baú no canto e a mandou se deitar em uma cama espaçosa, ela obedeceu, ele saiu e cerrou a porta.
Ela acordou com uma senhora gorda e grande a observa - lá. Havia uma bandeja com comida em cima de uma mesa com quatro cadeiras. A mulher riu para ela, fez gesto para que se levantasse e comesse, assim ela o fez. Quando terminou a mulher disse:----Vai fazer o serviço pesado, mas não tenha receio, é só no começo, depois que aprender o ofício, lhe dão uma coisa mais simples para fazer, vamos, agora que descansou e está de buxo cheio. ----Desceram uma escada, a mulher tinha lhe dado roupas de servente para vestir. Quando chegaram na cozinha. Uma senhora bem vestida, magra e alta, parou diante das duas, olhou para Miosóte demoradamente, pediu que abrisse a boca:----Serve, está em perfeito estado. Foi bem recomenda menina, não vai roer a corda. ----Ela olhou para a mulher e disse:----Coloque--a na limpeza, nada de moleza! Se não nos servir, volta para a sua vida monótona de antes. ---Ela não respondeu, a mulher a levou para um canto, deu - lhe vassoura e balde. A senhora magra alta saiu pela porta.
Trinta dias se passaram. As mulheres feito formigas entrando e saindo do formigueiro, iam dando forma aos quitutes em cima da mesa. Miosóte lavava e lavava o que iam colocando em cima da pia enorme. A senhora magra alta andava de um lado a outro dando ordens. A noite era noite de celebração pelo vigésimo aniversário do príncipe. Todo o castelo estava em alvoroço. A mulher magra queria ver tudo impecável. Nada poderia sair errado.
A noite chega, os convidados vão entrando pela porta principal. Miosote vestiu o seu vestido azul e se enfiou no meio dos convidados. Não havia nenhuma moça mais bonita do que ela. Antes que o baile começasse o príncipe não parava de olha-la. Todos queriam saber de onde surgiu uma moça tão bonita. E o príncipe dançou com ela até o momento que disse que ia embora. Ele não disse não, tirou de seu dedo o anel cravejado de pedras preciosas e a deu. Se virou e foi pegar algo para beber da bandeja que um garoto oferecia, quando se voltou, ela tinha sumido.
Na cozinha no dia seguinte, não se falava outra coisa. Um disse para um, que disse para outro, e assim foi a semana inteira. O príncipe começou a passar mal de amor, depois de ter mandado procurar por ela em tudo quanto é canto e nada de encontrar. Ninguém sabia mais o que fazer para salvá - lo. Não havia remédio que o curasse. Foi definhando, definhando, aí Miosote pediu a mulher magra para fazer algo para o príncipe comer, já que não se alimentava. A mulher zombando dela disse não. A senhora gorda disse que mal não havia de fazer. Com muito custo, a mulher deixou,e ela fez um bolo. Quando o bolo chegou no quarto do príncipe ele nem olhou. Depois de muito tempo, pediu ao jovem que ficava o tempo todo ao seu lado para o bolo, no primeiro movimento com a faca, viu que tinha algo duro, com jeito abriu o bolo e o anel caiu no chão chamando a atenção do príncipe que deu um grito e pulou da cama. Queria saber quem tinha feito o bolo. O jovem com medo de ser castigado,disse que alguém trouxera da cozinha. Ele ordenou que essa pessoa viesse imediatamente a sua presença.
Miosote entrou no quarto do príncipe, ele olhou para ela e o seu coração acelerou, seus olhos não entendia a visão presente:----Você fez este bolo? ----Sim. ----Não era possível, a pessoa não correspondia. Não era, não podia ser a mesma pessoa. Ela perguntou se podia entrar em seu banheiro. Ele apontou para o jovem que a acompanhou. Quando saiu de lá, cabelos soltos, rosto limpo, ele disse disse:----É você. --- Daquele momento em diante ele se curou, e o casamento foi feito com a lua testemunhando a fragrância dos sonhos, consumindo os ritos de amor.
Camuccelli.
FIM