quarta-feira, 9 de março de 2011

DE CORPO PRESENTE






ATO I



CENA I

(Tereza está à janela, vê um menino correndo, grita).

TEREZA:-Pra onde vai com essa pressa toda menino? Ouvi,claro que ouvi!
É o sino tocando pra anunciar a chegada do padre? Quem menino?O coronel Deudato da Fonseca o que? Caiu o quê? Caiu o quê?..De quê?…espera ai!Espera aí menino. Fala mais devagar! Pára de correr e fala peste!
ELVIRA:-Quem caiu do quê Tereza?


TEREZA:-Tô tão acostumada com os que me chamam de
Tê. Até me esqueço que me o meu nome é Tereza.O coronel Deudato da fonseca caiu morto!Tava dando milho pra galinhas.Caiu com a língua de fora.Morreu! Tá lá no inferno.Nunca fez nada de bom pra esta cidade.E o padre que vem, já começa com um defunto pra encomendar. Já vai….Olha lá o cata osso já chegou.É o padre descendo com uma mala na mão.É moço!Muito moço o coitado.Tá aproximando,tá aproximando! Boa tarde seu padre! Fez boa viagem?Chega sempre atrasado seu padre,quando não quebra no caminho, ou… atrasa.(Dirigindo-se à Elvira) Só abanou a cabeça.Padre metido! É o que eu digo,salvos aqui,só nós os Batista.O resto,Deus tenha piedade,estão é no inferno.Tempo há,se se converter de todos os seus pecados.
ELVIRA:-Vou tomar um banho,me vestir,sair por aí pra ver, e ouvir as novidades.Conhecer o tal padre.


TEREZA:-Trocar de roupa pra que? Esta ainda tá limpinha! É casada,mas não honra o nome do marido.Basta sentir cheiro de homens que já se arreganha toda.Essa aí não consegue se manter de pernas fechada.


ELVIRA:–(Chega à porta enrolada numa toalha) Ouvi viu! Com a mesma medida que mede,será medida.A boca fala do que está cheio o coração.


TEREZA:–Eu hein! Agora essa!


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