Cena i
TEREZA:Parece que acordou disposta hoje?Está com cara de quem andou chupando uva.
ELVIRA:-É de quem amanhceu bem! Eu não diria uva Tereza!A fruta é outra.
TEREZA:-Ontem tava com o diabo no corpo.Agora tá ai com essa saliência toda.Nem vi quando chegou.
ELVIRA:-Não quero discutir nada hoje.É o meu dia de reflexão.É Deus por nós,e o resto que se assuma.Quero é aproveitar enqunto o perfume ainda me acalma a pele.Amanhã!….Amanhã estrei longe disto tudo.Pelo menos alguma coisa boa levo pra me lembrar.
TEREZA:-Meu Deus,já é amanhã!O tempo passou como o vento. Hoje noite vai visitar a minha igreja né!
ELVIRA:-De jeito nenhum! Deixei a noite pra visitar a prima Ritinha.Amanhã sacudo a poeira.Vou sair bem cedo!
TEREZA:-E a promessa? Prometeste!
ELVIRA:-É que aconteceu tanta coisa,numa semana só.Nem deu tempo nem pra pensar.Amanhã viajo mesmo.
TEREZA:-Queria tanto apresentá-la ao meu pastor.Falei de ti com tanta alegria.As irmãs preparam até uns texto da Bíblia pra ler.
ELVIRA:-Pois é! Da próxima vez eu visito a sua tão aclamada igreja.Desta vez não dá.Tentei Tereza,mas não se pode fazer tudo ao mesmo tempo.Ou abro o sorriso,ou me desaguo em lágrimas.Uma coisa de cada vez,não mais.E a Bíblia leio em casa a noite com o marido.É bem lembrado o conselho.
TEREZA:-Que se é de fazer.Mas hoje almoça comigo?Desde que chegou só fica pra lá e pra cá.Comeu aqui só no dia que chegou.Passa tão depressa os dias.Nem parece que aconteceu o que aconteceu aqui.É minha irmã.A gente esquece tudo depressa demais.
ELVIRA:-Fica tudo mundo querendo que almoço na casa deles.Sou uma só gente! E o…Joãozinho me espera hoje na casa dele.
TEREZA:-Joãozinho!!!E a mulher dele sabe? É apressada boba,mas sabe.A cidade toda conhece bem as amassadas de mato dos dois.agora a besta cozinha pra…..
ELVIRA:—Olha lá o que vai dizer com isto.Sou casada,e bem casada.
TEREZA:—E chega as tantas da noite e suspira de manhã.Cheia de cheiro dele.Foi ocê mesma quem disse.Eu só ouvi.
ELVIRA:—Miseravel! Galinha de angola.Não ponha coisas nos cantos da casa.É desse jeito que quer ir para o céu? Filhote de belzebu.(Tereza tasca um tapa com as mãos abertas na cara de Elvira que enconde o rosto com as mãos.Tereza não se dá conta do que fez.Tenta desfazer.
TEREZA:—Meu Jesus,meu Deus ela me atiçou! Elvira,Maria Elvira em nome de Jesus me perdoa! Ai meu Deus,a minha mão! A minha mão! Ah,ela é leve não há de deixar marcas.
ELVIRA:–A gente esquece,e é Deus quem perdoa.
TEREZA:—Jesus perdoa e disto não me lembrarei mais.
ELVIRA:—Uma bofetada afeta,marca o coração da gente.Se até a primavera volta.Do pensamento a marca não sai.
TEREZA:—O primeiro homem a mulher nunca esquece.
ELVIRA:-Por isso não foi ao enterro do coronel?Quem lhe disse que Joãozinho foi o primeiro na minha vida?
TEREZA:-A gente imagina.Vivia os dois agarrados…as suas insinuações não me supreende…Se não foi ele,quem foi?
ELVIRA:–Não foi o mesmo que pôs uma criança na sua barriga?
TEREZA:-Vou começar o almoço.Vou começar o almoço! Já que vai comer por lá mesmo?
ELVIRA:-E a sua a curiosidade? Fica assim… muda?
TEREZA:-Panela que muitos mexem,queima,ou fica salgada.
ELVIRA:-Então até!Não pense que vou esquecer o tapa.O seu Jesus também não vai.(Ela sai.Tereza corre pra janela)
TEREZA:-Bom dia dona Maria das coves! Que noite hein!Acabou de sair.Só fica na rua, de casa em casa.Faço tudo pra mantê-la aqui comigo, ela parece não gostar da minha casa.Faço o que posso.,Obrigar não posso. E o tal do homem,morreu.Não tenho ouvido mais gritos.Como
assim dona Maria? O padre levou lá pra igreja?Esse padre é louco!
Além de rezar missa em latim,entope a igreja de escarnecedores.Adoredores do diabo.Sem contar as
donzelas que deixou embarrigadas por ai.Eu sei dona maria.
Devemos amar o próximo como a nós mesmo.Tá,tá escrito! Mas,
Esse só pode ser próximo do cão.Me admira a senhora com uma
conversa desta.Porque não levou pra casa da senhora então?
já tá no inferno! A senhora não lê a Biblia né! É rude de tudo.Leio
sim.Pelo menos sei ajuntar as letras.Dá pra ler sim.A senhora nem
isto sabe.Se pelo menos soubesse escrever o nome. Vai cuidar das suas couves! Ao ínves de ficar cuidando da vida alheia,não vai tirar os piolhos das suas couves.Com licênça dona Maria das coves.(Fecha a jenela)Gente iguinorante! Onde jé se viu colocar um moribundo na companhia da gente.É louco de pedra
esse padre.Pra quem reza missa em latim.Pode se esparar tudo.(Ela abre a
janela novamente) Hei menino! menino,venha cá! Vê em que casa Elvira está.Na volta,passa na igreja,pergunte o padre como o homem está.Ora que homem?
Juventino,o que foi esfaqueado na venda.Quando voltar lhe dou um ovo,se a galinha botar.Tá bem dou dois! Vá logo,vai!…A paz do senhor Comadre Ana.Pois é! Ainda nem bem o padre Eusebiu é plantado,já se prepara festa pro padre novato.Se bem que o padre Eusebiu já passava o dia pulgando os pecados da carne.Aí o coranel morre.Põe água no fogo,a festa acaba.É tanta enchente em tão poucos dias.Não há terra que suporte.É comadre,a gente tá precisando orar mais pra este lugar.O diabo anda em derredor.(A dona Ana sai),ô comadre!..Me deixou falando sozinha!
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