quarta-feira, 9 de março de 2011

CENA II


Cena 2

TEREZA ESTÁ À JANELA) TEREZA:–Bom dia seu Juca! E as crianças? O senhor continua a mancar seu Juca!
Tô vendo! Tô Vendo! Vá à igreja seu juca! O pastor faz uma oração forte,o senhor fica curado.Joga esta muleta fora seu Juca.Com jesus tudo é possível!Ele levou sobre si as nossas dores.Vai mesmo,vou ficar esperando…Vai indo dona Maria da cov aves.Pois é, se fosse na fazendo do falecido,eu ia.Em casa de pecadores não entro.No cemitério que nos recebe de braços abertos…Hi foi? Essa gente não respeita nem os mortos.Que atrevimento,hein! Vou ficar esperando sim.Pra senhora também!
ELVIRA:-Atrevimento de quem Tereza?
TEREZA:-É dona Maria das coves me falando da confusão no velório.
ELVIRA:-Acabou logo.O homem quis apontar qualidades e defeitos do coronel.
TEREZA:-Mas, a missa foi rezada?
ELIVIRA:-Em latim!O padre disse e não disse nada. Virou as costa e rezou em latim.Ninguém entendia uma palavra.Foi uma missa de velório.Língua morta, para um indecente morto.
TEREZA:-Deus me livre! Latim?E o..que venha a ser?
ELVIRA:-É uma língua morta.Caiu em deuso. Antigamente O mundo falava latim ou espanhol.Era a língua dos mares e da terra.Quem não falasse não fazia parte da sociedade.Mataram a língua.Hoje alguns padres falam e é só….fiquei pensan do naquele momento.Quantas crianças retiraram balas na algibeira do coronel?Ele mandava a criança enfiar a mão dentro da algibeira.Bala mesmo a coitada não pegava.Ainda te lembras Maria Tereza?
TEREZA:-Tô sentindo um cheiro esquisito saíndo dali.Tá com jeito de tenda queimada.
ELVIRA:-A coitada da mamãe correndo pra tirar a criança,filho do coronel?O papai não podia saber…Ah,Tereza! Te lembras das balas da algibeira do coronel? Não foi fácil pra mamãe esconder do papai o filho que o coronel lhe pôs.te lembras disto Tereza?
Aqui, Nenhuma criança escapou das balas do coronel.Nem eu! Era estímulo pra mim.Como eu gostava de procurar balas na algibeira do coronel.
TEREZA:-Tem é rato morto em baixo desta cadeira.(Procura o rato)Será a minha mão? Lavei as minhas mãos inda agora.Fubá suado queimado!Tem uma coisa fedendo aqui.
ELVIRA:-Foi uma noite pra relembrar.E o coronel?.. Se regenerou Tereza?Falo de continuar colocando balas na algibeira…Não.As crianças de hoje são mais sabidas.
TEREZA:-Passando pano no assoalho deve tirar o cheiro.Cheiro de rato morto empestea toda a região.E dona Maria das coves que não vem.Esse rato tá precisando é de uma ratoeira..Tão símples é vida,que a gente nem percebe..E o trabalho que dá pra criar uma criança nos dias de hoje.Será que a dona Maria das Coves se esqueceu de mim? Se eu lavar com cuiadado sai o fedor?
(TEREZA OLHA PARA ELVIRA UM TEMPO)
Cê deve de tá com fome.
ELVIRA:—Não.Já comi.
TEREZA:—Comeu aonde.Na igreja ninguém dá.Ainda mais com esse padre.
ELVIRA:—Comi Tereza! Comi!
TEREZA:—Sê besta,eu faço uma merendinha Não demora.
ELVIRA:—Chega Tereza.Que apurinhação.
TEREZA:—Não quer,não quer! Depois que foi morar na capital ficou assim.Metida,esnobe.Quem ocê pensa que é.Vem carregada de roupa.Troca uma de manhã,no meio do dia e ainda troca de noite.E o sapato de salto pra andar nesta rua lamacenta.Não quer,não quer!
ELVIRA:—Vou é me deitar.Ufa que saco!


(TEREZA VAI DE VAGARINHO BATE NA PORTA)
TEREZA:—Se quiser um chá eu faço.


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