terça-feira, 1 de maio de 2018

Ronda

                                        RONDA

                                       Baseado na música Ronda de: Vanzolini

   O sol acabara de se esconder atrás dos montes. Noite fria,a garoa cobria o asfalto da cidade de Sao Paulo de ponta a ponta. Ela entrou no banheiro, passou a maquilhagem como se pintasse a parede,se vestiu,pegou a bolsa abriu a porta e saiu.
           Andou por muitas avenidas, vasculhou cada bar que ele frequentava.  Esquadrinhou com os olhos atentos cada canto dos lugares que entrava. Cansada,desanimada e desencantada da vida , volta para o seu apartamento no centro da cidade, espiando em cada olhar de passantes, para ver se o encontrava.Se alguém que a conhecesse dissesse:--Desista,essa busca é ínutil. Ela não desistiria.
            Assim que entrou em casa, pegou o controle da televisão em cima da mesa perto do telefone e apertou o botão.  Passava um progama desses de sensacionalismo.  Recostou no braço do sofá e apagou. A porta abre,ele entra com uma caixa nas mãos. Caminha feito um felino até a cozinha. De costa, ela mexia em uma panela. Ele coloca a caixa em cima da pia, abraça-a por trás,beija-lhe o pescoço:--Assim você me faz queimar tudo. ----Ele ri,continua com as caricias e a beija-la nos seios:--Desse jeito sabe onde isso vai dar. ---Ele lhe pega nos braços,ela se estica e desliga o fogo do fogão. Ele empurra a porta do quarto com o corpo, ela ainda nos braços  dele rindo. A porta abre, ele cai com ela em cima da cama. É neste momento que o telefone toca,ela abre os olhos. Na tv passava os reclames da programação. Ela pega o controle e desliga a tv. O telefone parou de tocar.  Se levanta e vai para o quarto, para por um momento na porta, vê que ele não está lá. Foi só um cochilo e o sonho veio lhe machucar. Veste outra roupa,dá uma retocada na maquilhagem,abre a gaveta pega o revolve,volta para  a sala,coloca-o dentro da bolsa,olha para o relógio na parede e diz:--- Que merda! Dormi mais de uma hora. ---Vai  até a cozinha,abre  a geladeira,pega a garrafa,coloca a àgua no copo, termina de beber e sai.
        O frio e a garoa não impedia que pessoas vagueassem feito mortos vivo àquela  hora da noite. Algumas ruas etavam desertas.Mais uma vez andou de bar em bar, pelos lugares onde ele costumava ir e nada. Já estava desistindo,se sentindo infeliz. Resolveu caminhar pela avenida Ipiranga cruzando com  a avenida São João. De longe ela viu ele rindo, abraçado a outras mulheres com um taco na mão. No momento em que ia colocar a  bolinha na caçapa,os olhos dele a vê, a alguns passos. Sorrindo sem jeito,caminha ao seu encontro.-- Na certa a puxaria para o canto dizia que numa hora daquela não era hora de mulher direita está na rua, muito menos num bar-- Mas ela Olhando para todos  e fixando os olhos nele de braços abertos caminhando em sua direção.  Enfia a mão dentro da bolsa,retira o revolver,o tiro ecuou pelo ar. O  corpo ensaguentado ficou estirado no chao à vista de olhares indagadores.

 

                                              Camuccelli