quarta-feira, 9 de março de 2011

CENA V

Cena 5

MARIA TEREZA SAI DA REALIDADE QUANDO OUVE ALGUMAS VERDADES. ELA ENTRA EM TRANSE. VESTE SEMPRE BLUSA DE MANGA COMPRIDA.SAIA INDO ATÉ OS JOELHOS.CHINELOS DE DEDO.A ROUPA É SEMPRE DE COR CLARA. TEREZA VEM ARRASTANDO ELVIRA PELOS CABELOS.HÁ VESTÍGIOS DE LUTA.MARIA TEREZA ESTÁ COM OS CABELOS DESPENTEADOS.MARIA ELVIRA COM A CAMISOLA RASGADA.ELE JOGA ELVIRA NA CAMA.VAI ATÉ O ESPELHO QUE FICA NA PAREDE PERTO DA PORTA DE ENTRADA DO BANHEIRO.ARRUMA OS CABELOS.ELVIRA SOLUÇA COM A CABEÇA ENTRE O TRAVESSEIRO)
TEREZA:—Se não é Jesus o meu redentor.Que me livra das tentações dos diabo.Eu era capaz de pegar uma corda,amarrar ela ali naquela barra de ferro,e dependurar no seu pescoço.
ELVIRA:—( DE UM PULO SENTA NA CAMA COM OS OLHOS ARREGALADOS) És bem capaz d’uma coisa assim.
TEREZA:—Mas, Jesus me segura a mão.Se né eu vindo no corredor naquele momento.Ocê podia ter ficado doente.Pra que Maria Elvira ocê saiu? Não disse pra ter paciência.Tem ai o banheiro.A comida vem no tempo e a hora.Até sair fumaça sai.Não tenho muita coisa,mas,a que tenho é sua também.
ELVIRA:—O que me pede é muito ousado.Estou feliz sendo cardecista.Não vejo mal nenhum nisto.Fazemos caridade.Amamos o próximo.Isto é ser cristão,é servir a Cristo também.
TEREZA:—Alan Cardec ressuscitou?
ELVIRA:—-Não…claro que não.
TEREZA:—-Pois é! Só um ressuscitou.E à Ele é dado louvor.Não comunga treva com luz.
ELVIRA:—Numa hora dessa lá em casa estão pensando que eu não volto mais.O meu marido deve está louco de preocupado.
TEREZA:—Ainda bem que me lembrou.Jesus que cabeça é esta minha.Eu não recebi uma carta do seu marido menina! Ele disse que brota aqui até o fim de semana.
ELVIRA:—-(FELIZ E SEM ENTENDER) Mentira sua!!! É mentira!
TEREZA:—Hi eu ia brincar com uma coisa desta?
ELVIRA:—-Como sabe o que ele escreveu,não sabe ler?
TEREZA:—-Sei sim,sei muito bem ajuntar as letras.
ELVIRA:—Cadê a carta então
TEREZA:—-Num tô te dizendo.Com a confusão,esqueci a carta em cima da mesa.Só indo buscar.
ELVIRA:—Tá esperando o que? Vai,vai buscar.
TEREZA:—Mas,pra isto tem um preço.Cê num acha que vou lher dar sem nada em troca.
ELVIRA:—Vai começar!
TEREZA:—Já sabendo que ocê ia ficar feliz com a carta do seu marido.Fui lá na igreja.Disse pro pastor que ocê vai no culto de domingo entragar a sua vida pra Jesus.A igreja toda deu um brado de Aleluia!
ELVIRA:—Todo mundo sabe que saí de ônibus faz….faz um mes,não é isso? TEREZA:—Falta alguns dias pra um mês.Eu já arrumei tudo.Disse que ocê caiu doente e não pôde ir.Estou cuidando d’ocê.Hi não é a pura verdade? É só isso Maria
É levantar a mão pra Jesus e tudo se faz novo.Ocê será uma nova criatura.

ELVIRA:—Paulo disse que não é por força nem por violência.A conversão só pode vir por amor.
TEREZA:—E quem é esse Paulo?O que ele sabe? O Pastor disse que o reino de Deus se conquista é por força.Esse Paula não sabe o que diz.
ELVIRA:—Paulo de Tarso Tereza.Foi o homem que ajuntou os cristãos depois de Cristo.Ele escreveu isto.Tai na sua Bíblia.
TEREZA:—E o que foi que eu disse?
ELVIRA:—Que não sabe quem foi Paulo.
TEREZA:—Tá vendo Maria Elvira.Ocê põe palavras na minha boca.Ocê quer é me confundir.Sei muito bem quem foi Paulo.Mas né sua a culpa.É dessa seita que ocê segue.Gente que caminha de mãos dadas com o diabo.Mais eu….eu te livro das mãos deles.Em nome De Jesus.
ELVIRA:—E a carta?vou poder ler?
TEREZA:—Se é sua meu Deus.Vou buscar.Mas o nosso trato?
ELVIRA:—Tá eu vou contigo à igreja.
TEREZA:—( FELIZ MAS NÃO DEMOSTRA) Vai haver uma festa no céu.Uma alma foi resgatada.
ELVIRA:—E que Deus me perdoe.
TEREZA:—(OLHA FIXAMENTE PRA ELA) Tenho achando ocê muito estranha.Quando vinha aqui,ria,cantava,falava das viagens que fez pelo mundo…desta vez não.Veio de nariz empinado.Soberba,autoritária.Ocê é uma pessoa que não conheço mais.
ELVIRA:—E Você? Depois que virou crente.Vestiu esta roupa esquisita,não é mais a mesma também.Nem ler Bíblia sabe,tampouco conhece a história de cada personagem.
TEREZA:–Tá vendo como Ocê é cheia de orgulho.Se vangloria na leitura que sabe.Conheço muito bem.E sei ajuntar as letras.Meu Deus,o Senhor tá de prova que tento entender.Faço do bagaço a garapa p’rocê.E o que ganho? Malcriação e discriminação.
ELVIRA:–Há pouco disse que me mataria se não fosse o seu Jesus.Agora pede à Deus orientação.
TEREZA:—Quer saber Maria Elvira? Quer saber? Num ler é carta nenhuma.Vou demorar pra não ver a sua cara.E aqui cê pode morrer sem ninguém descobrir nada viu!
ELVIRA:—Quando me trancava aqui dizia a mesma coisa,lembra? (ELVIRA ESTAVA COM OS OLHOS CHEIOS D’ÁGUA)
TEREZA:—Era diferente.A gente só brincava.Agora a proposta é outra.Tem ação e tem objetivo bem traçado.Aí meu Deus não chora Maria Elvira.Não chora! Olha,ocê aceita como combinou e a gente esquece.Vou lá.Vou preparar a sua comida.Eu….venho com a carta.Não chora tá! ( TEREZA SAI.E…VOLTA.—Não vou demorar tá! Volto com a sua carta. (DEPOIS TRANCA A PORTA)

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