quarta-feira, 9 de março de 2011

CENA III

(Maria Tereza se veste como se fosse Elvira.Muda a postura.Abre a Janela debruça sobre o para peito).

TEREZA:-- Bom dia com...dona Ana! Não,ela ainda não se levantou.Sabe como é, tem dia que dorme um pouco mais.Eu não me importo.Dá descanso.Tereza tá difícil de aguentar.Implica com tudo.Imagina a senhora que ontem teimou que eu quebrei um vaso de sua estima.Se nem vaso ele tem com...dona Ana.Teima e teima.Disse que o meu arroz é queimado e gruda no fundo da panela.E o meu café? Disse que é de borra de café,pode com...dona Ana? Deve ser.É de Dois anos pra cá.Põe a culpa é em mim.Disse que se não fosse eu ter atado ela à cama...quando foi que atei Tereza à cama com...dona Ana? Pra aceitar a Jesus.Pode alguem prender uma pessoa pra que esta pessoa aceite a Jesus como o seu salvador? Se foi jesus mesmo que disse que não é por força.A própria pessoa é quem tem que tomar a descisão,não acha com...dona ana? Ela é quem me mantém aprisionada aqui.A senhora viu o bafafa que foi.Fala pra ela,fala. É aquela mesma conversa.Do carro da policial e tudo.Ficou dois anos cozendo e cozinhando lá na prisão.Sei que ninguém podia livrá-la,mas com...dona Ana ela não tinha dinheiro para pagar a fiança.Era a fiança ou dois anos reclusa.Foi o que disse a juíza.Ficou dois anos.Pra senhora ver.É o que eu acho também.Diz isso pra ela diz.É capaz de joga uma chaleira de água quente na senhora .
Conversa....essa gente não sabe o que diz.Quem falou do quarto?Que querto secreto com..dona Ana? Cuidou bem de mim sim,durante o tempo que fiquei presa lá.No quarto dela ora! E nem vão encontrar, a entrada é secreta.De mim, a senhora,nem ninguém ficará sabendo de nada.Talvez a Tereza com jeito lhe conte.Eu não.É segredo de família. Banana pressa gente curiosa! Né pra senhora não.O povo deste lugar...como ia dizendo.Ela voltou meio lerda sem dar conta das coisas depois dos
dias de reclusão.De vez em quando fica ali parada,olhando pra não sei pra onde.Diz umas coisas sem razão.(Como se ouvisse Tereza chamar respoande) Já tô indo.Não vai me fazer lambança Tereza.Tenha calma,estou conversando com a com..quer dizer,dona Ana.O seu assunto pode muito bem esperar.É assim,resmunga,grita pra chamar a atenção da gente.Vive falando como se o coronel,o padre Euzebio vivos fossem.Gente esses dois estão lá plantados no semitério.Vá lá dizer à ela que morreram...tem hora que atina,e considera,noutra,diz que eu tô é louca.Na igreja com...dona Ana,não vai mais não.Tanto o pastor quanto as irmãs não aceitam o fato ocorrido.Jesus disse que a gente tem que perdoar as ofenças.Jesus perdoa,os homens não.As leis do homem é dura.Onde já se viu Deus penalizar alguém por causa do dízimo.E o dízimo foi criado para que os povos tivessem mais união e menos egoísmo.Cada um levava os dez por cento estipulados para festejar no lugar que Deus escolhia para ser comido.Não era pra festejar a colheta com..dona Ana? Hoje em dia virou moeda de troca.Riqueza pra quem recebe e castigo pra quem não dá,é mole! Se examinassem as escrituras como os antigos faziam.Saberiam pra que ser o dízimo.Já vai com...quer dizer,dona Ana? Dê lembraças minha a minha...quer dizer... a afilhada de Tereza.Amanhã Tereza fala com a senhora.E a gente ainda aguenta o arado como boi fosse.

(Ela fecha a janela.Dias depois a gente ainda via a janela fechada.Nem a porta era mais aberta.Ficou assim até os dias atuais.Nunca mais aquela jenela foi aberta novamente depois daquele dia.Nem a cidade quis mais ouvir,ou falar no nome de Maria Tereza.Maria Elvira abandonou de vez a cidade)

FIM

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