segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Naquele Tempo Era Assim

      

           Naquele Tempo Era Assim.
                       By: Camuccellil

    Não me venhas a noite com beijos ao pescoço. Começaste o transtorno noturno no dia em que ias se casar. Jurubeba, era claramente contra qualquer ato íntimo. Mal digeria toques de mão. Achava repugnante gente colando boca com boca, chagava até nanusear -se. Se os olhos teus se deparasse  com cenas do tipo. Tivesse ela contraído febre, sarampo ou coisa parecida, tamanha era o estado de repugnância. Sonhara um dia namorar, namoro nos moldes dos anos vinte, mal se tocavam nas mãos. O homem conversava o tempo todo com o pai, a namorada ali do lado sem poder se manifestar. Quando o namorado ia embora, era o pai quem o levava até o portão. Jurubeba sonhara com algo assim. Acreditava em segonha carregando bebês em seus bicos entregando-os de casa em casa. Colocava sapatos na janela em véspera de natal. Acreditava que se podia buscar nas matas ovos que os coelhos botavam, que só se podia encontra-los na páscoa.
    Enfim Jurubeba se casou. No momento em que é dito:---- Pode beijar a noiva. Ela se vira. Ri para todos se esquivando dos lábios repletos de bactérias e de hálito quente.
    Depois da festa, na hora de colocar o pássaro na gaiola,ela se tranca no quarto. Deixou um bilhete em cima da mesa. "Você no seu quarto, eu no meu" Não me venhas a noite com beijos ao pescoço. Sei o que o homem faz com a mulher depois de casar.
      Ela saiu do quarto, entrou no banheiro. Em poucos minutos seguintes, já estava pronto o café, a mesa posta para o desjejum. De olhos grudados na porta do corredor. Com um certo pontinho de ansiedade aguardava o momento em que ele surgiria. Enfim, nu, de um  jeito inesperado, com sorriso esboçado no rosto caminha em sua direção. De um salto, se põe de pé e corre para dentro do banheiro. Ele gargalha.
    O tempo passa. De dentro do banheiro ela ouve gritos, gemidos contínuos. Teve a certeza de algo muito  ruim o estivesse acometido. Abri a porta do banheiro ressabiada. Lá estava ele sentado no chão, encostado na perna da mesa. Ele cravou-lhe o olhar com um riso de canto de boca disse:--- Taí o nosso filho.--Aponta para a poça no chão:--- Daqui a pouco ele morre e a culpa é sua. Levanta, passa por ela e entra no banheiro. Os olhos dela não conseguia se desviar da poça no chão:-'--Devia ter suado o nariz no banheiro. Que nojo.
     O incidente do dia anterior não lhe saia da cabeça. Jurubeba crescera com nojo de homem . A mãe passou a vida dizendo para ela ter cuidado com os homens. Eles comem o fruto da mulher, deixar a coitada no abismo do mundo, só, e com muitos filhos para criar. Não estão  nem aí. Se algum homem se engraçasse com ela deveria tomar cuidado. Jamais se entregar,não  caia em conversa fiada---Dizia ela-- O que ele quer é se aproveitar da sua virgindade. Não importa a promessa que faça. Depois de comido, o fruto perde o valor.A mãe morreu,mas os conselhos e as palavras negativas não. O que a mãe não disse a ela é que depois do casamento, mulher e marido se doam, se amam e as coisas da vida seguem firme.
     Ela deixou o que tinha pra fazer, para ficar conversando com a amiga ao celular:--- É amiga, fácil não é! ... não foi pra isso que me casei. Todo mundo sabe que o fiz pra ter um companheiro do meu lado... não senhora. Esse negócio de amor é invenção. Casamento nunca envolveu amor. É um negócio  criado  para unir as riquezas. Com o passar do tempo, veio o cinema e inventou o amor.... é não senhora.  Hoje é que é assim. Homens se casam para ter uma escrava sesual. Mulher não é mais objeto, depósito da sujeiras que sai de dentro do membro dele.... pra que ter filhos? Esse mundo não merece um filho meu....amarga não. Estou sendo sensata. Um dia depois do nosso casamento. Olha o que ele fez. Levantei-me feliz. Fiz o café. Arrumei a mesa e pus o que de melhor tinha para agradá-lo....espera aí! Sabe o que fez diante dos meus olhos? Eu ali sentada o aguardava para o nosso primeiro desjejum. Ele me aparece nu, de membro eréctil.... lógico que não dormi na mesma cama que ele....que lua de mel? Mel não teve, muito menos lua.... não disse o pior. Corri para o banheiro. Ouvi gemidos, gritos. Pensei, deve está passando mal. Abri a porta do banheiro, sai,o que vejo, ele lá,  largado no chão com o sorriso esboçado no rosto segurando o membro e aquela gosma no chão, até pensei que tinha asuado o nariz. É o fim da picada...até hoje não. Se quiser fazer isso, faça com quem ele quiser, comigo não... você né! Eu não. Me casei parar ter um companheiro. O casamento é até que a morte nos separe. Não precisa ter esse negócio de sexo não.... tá amiga. Obrigada por me ouvi. Me sinto melhor, até!

      Depois de tomar banho, se perfumar, foi para o quarto. Deixou a porta escancarada. Tirou a toalha que cobria o corpo e a jogou no chão. Se deitou cobrindo-se com o lençol. Os olhos esquadrinhavam a porta de canto a canto. Do lado de fora, buzinas,vozes irrompiam o silêncio que havia no quarto.
     Num dado momento, a surpresa que ele esperava, vestindo uma roupa transparente, sem nada por baixo, adentra no recinto. Cravou-lhe os olhos e a volúpia a seguia. Ele ri,abraça-a, arranca a camisola.Começa aí a sessão sem hora para terminar. Os lábios quentes dele subia e descia pelo corpo dela. A terra, era uma terra bruta, era preciso muita paciência e competência para sulcar a cada canto do lote que lhe cabia. E foi explorando até o momento em que a picareta irrompeu a aridez intocada. Sem pressa, foi cavando cavando  até o líquido explode ensopando  o lençol que cobria a cama.
     Corpos exaustos, vozes sem som. Apenas se olharam, os olhares contiam palavras que o momento não permitia dizer.
    Dia seguinte. Mesa posta. Ele parecia está faminto. Jurubeba pega o copo com suco e diz:--- Aquele suco de laranja de ontem tinha o que nele?--- Estimulantes para o sexo. Um estímulo para corpos frios:--- Eu poderia processa-lo por invasão de privacidade.- Ele dá uma gargalhada:--- Foi até lá  com aquela roupa insinuante,transparente, com um riso de canto a canto:--- Coagida! Eu não estava no meu estado normal. Você acabou de confessar que me drogou:--- Droguei não. Disse que foi estimulante e só:--- Fui contra a minha vontade:--- Aí a conversa é outra. A pergunta agora é, valeu, ou não veleu a pena a invasão?:--- Se tivessem me contado que era bom...quer dizer, a minha amiga disse que é coisa magnífica. Eu digo...é como arrancar a alma, jogar no espaço e quando volta é sem definição:--- É, pra mim a novidade foi o lacre. Não imaginava que ainda era virgem.--- Continuam comendo e conversando. Ele conta como resolveu agir. Quando um amigo disse numa conversa de botequim o que faria se fosse com ele. No mesmo instante  ficou interessado, aí  o amigo o ensinou como fazer. Foi até a loja que vende produtos para estimular o sexo naqueles corpos frigidos, ou não.  Risco que correria, resolveu arriscar e deu no que deu:--- Você é abusado. Se eu não gostasse? A minha mãe dizia que depois que o homem entra na mulher, a coitada fica meses com as partes feridas e o resultado é uma criança nove meses depois:--- Viu que não é assim. Olho o tempo em que nós estamos.Doido é, pra você e para mim, mas o resultado é dos deuses:--- Cresci com medo, mas queria me casar para não acabar sozinha na minha velhice:--- Casamento sem sexo não existe. Vamos de novo:--- Agora? Não, não dá,minha bichinha ainda dói. Depois a gente ressuscita aquele filho que você matou aí no pé da mesa.-- Caem na gargalha. Ele se levanta. Vai até ela, dá -lhe um beijo ardente. Acaricia-lhe os cabelos.
                      FIM
    
              By: Camuccellil

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