sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O GAZOFILÁCIO

; CENA I E O CULTO TINHA ACABADO DE ACABAR.UM HOMEM VESTINDO TERNO,BEM APARENTADO,ASSENTADO NA PONTA DA FILEIRA. OBSERVAVA CADA JESTO DO PASTOR ENQUANTO FAZIA RELATO DOS TEXTOS BÍBLICOS. PASTOR:_....E que o SENHOR te guarde;O SENHOR ponha a mão sobre ti;Que O SENHOR levante os olhos sobre ti e te dê a paz.( MINUTOS DEPOIS,TODOS SAEM DA IGREJA,MENOS O HOMEM, QUE CONTINUAVA ASSENTADO). EVAIR:Bem aproveitado o culto. PASTOR:--É o que Deus espera de nós. A mensagem deve seguir quem a ouve e aceita.É de qual igreja o visitante? EVAIR:-- Estou de passear. PASTOR:--Aqui,nós gostamos de visitantes.Somos uma só família.Mesmo que não frequente outra igreja,volte! EVAIR:--Boa é a igreja do senhor.Bem...arejada! PASTOR:_É do povo de Deus.Só administro.Um pastor deve cuidar bem das suas ovelhas.É o que agrada aos olhos de Deus. EVAIR:-- E...cuida com muito Zêlo?...É...cabe dentro da oferta. PASTOR:--Vem pela primeira vez, entendo!... Mas se quer ofertar pra casa do Deus vivo. Se sinta acanhado não.Deus ama quem dá com alegria.Qualquer quantia nos cai bem.Sabe como é...O senhor se agrada de quem oferta.Principalmente quando é dada de coração. EVAIR:--Entendo!!!Senão o...é muito pobre a casa do senhor?.(DEBOCHADO) PASTOR:_Queira perdoar-me meu jovem.Tenho que fechar a igreja...Pode dar a sua oferta se assim lhe cair bem.Senão,a noite não espera sem nos surpreender. EVAIR:--É.. ainda tem o feriado de amanhã...quem sabe pelo medo...não, o senhor não está desdenhando a minha oferta.O mal é que nem a quantia estimei. PASTOR:--Fiz muitos cultos hoje.Estou precisando me recompor...Se me der licênça! Está na hora.Volte outro dia...Vou ter que ir...a igreja precisa ser fechada. EVAIR-- Assim o senhor me assusta! Fechar pra que,se o verbo é abrir mais e mais?E o senhor nada tem pra fazer hoje. PASTOR:--( MEIO ASSUSTADO MAS,FIRME E CALMO). Engano seu.Eu não paro. EVAIR:--Ah!... As interminaveis visitas. PASTOR:--Todo bom pastor deve vê como anda as ovelhas.Cuidar,e bem! EVAIR:--Principalmente as gordinhas.Se bem que andam diminuindo muito...pra não engordar.Mas,ainda têm as tolas.As rebeldes.E o vento nem sempre sopra de onde se espera não é verdade? PASTOR:--Estou entendendo não...Vem como vem inverno.Conhece nada de trabalho pastoral.Quer definir o que quer dizer com esta conversa? EVAIR:---Engano do senhor...o conheço muitissimo bem.Admiro o trabalho do Pastoreado.Tanto é que aqui estou.E sem máscaras. PASTOR:--Já sei! É oração! O que está precisando é de oração.Devia ter dito logo.(VAI COLOCAR AS MÃOS NA CABEÇA.ELE REFUGA). EVAIR:--Tire isto de cima de mim. PASTOR:--O que queres então? EVAIR:---O senhor pastor,o senhor! (QUE FICA MAIS CONFUSO AINDA) PASTOR:--E o que quer de mim? EVAIR:--Nada.Não se imagina quer o que já é seu.(NISTO EVAIR CLOCA AS MÃO SOBRE A CABEÇA DO PASTOR,QUE TENTA RESTIRAR E NÃO CONSEGUE) PASTOR:--Mas,se é din...quero dizer. Estamos....Olha aqui se...eu fui comprado pelo...ai,uma tonterazinha repentina! Que dor! EVAIR--Senta aqui pastor...Pecado não é a forma lógica,mas é a moeda. É um bom o preço.Não doi nada e ainda compesa a forma. PASTOR:--Esta igreja é santa.Foi consagrada por Deus.Têm sujeira nas outras, aqui não! EVAIR:--É boa a motivação.Uma assim, supera no seu valor.Eu compro!!! PASTOR:--Estou tonto. A mente confusa! Nem mais sei o que tenho à dizer. EVAIR:--É feito pingo d'água espatifando no chão,contra o vento nas frestas da erosão. PASTOR:--Será que tomei algo que fez mal? Desculpe a minha indisposição.Estou me sentido lerdo. EVAIR:--Em que vicículo está escrito,que crianças devem pagar dízimos? Ou dar ofertas? PASTOR:--Nem podem.Isto cabe aos pais somente. EVAIR:--E pra tecer a teia ,temos que fazer.É contribuição como outra qualquer.Criança também paga dízimo sim senhor. PASTOR:--Isto é desonesto na casa do senhor.É,ilegal. EVAIR:--Desde que me contemple,como as luvas que saciam os dedos,nada ...nada é ilicito.Nada é ilegal.Tudo é lícito.E tudo pode. PASTOR:--O senhor me pega de surpresa.Estou sem condição de...dê-me tempo....É só o tempo de me recompor.Ainda me doi a carne.Minhas pernas tremem dentro das calsas. EVAIR:--É o que não temos.O tempo forma crostas.E a gente acaba roendo unhas.O grande vilão...é o tempo caro pastor. PASTOR:--Sem tempo nada se pode fazer....Estou me sentindo indisposto,não quer voltar noutra hora?Amanhã quem sabe! EVAIR:--Sente-se muito bem pastor.Não quero tomar o lugar da razão.Correu tudo bem até aqui.Não vamos exagerar.Nem perder a viagem.Amanhã seria outra tentativa.Pra que amanhã se estamos nos encontrando agora. PASTOR:--Tem algo estranho aqui.Não sei o que ,mas que tem,tem! EVAIR:--Pode ser...o entusiasmo! É a hora dos negócios! Está perfeito! É um negócio, rentavel e plural.(ELE DA UMA VOLTA EM TORNO DO PASTOR.OLHA,VÊ O GAZOFILÁCIO.PÕE AS MÃOS,NAS COSTAS DO PASTOR.) Vê,ali? PASTOR:--O Gazofilácio? EVAIR:-- É seu. PASTOR:--É não,é da igreja! EVAIR:---Fiz pergunta não...Tô dizendo que é seu! Estou dando mesmo.É seu! Dando,como quem dá algo à alguém. PASTOR:-- Deve ter uma boa quantia ai dentro.Hoje teve mais fieis do que de costume.Foi o dia dos dízimos e das ofertas.Pertence a igreja. EVAIR:--É não meu chapa! Pega, é teu...Doravante,seremos íntimos e tal. Vamos entragar nas tuas mãos coisa melhor.Uma outra igreja.Melhor,maior,e real.O senhor superará tudo.O senhor administrará tudo e bem.Nova igreja...é tudo novo pastor.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

CENA III

RAIZ:_Perfeitamente! Dos…o quê? É porisso que estou atado a este estado deploravel…eu devia ter desconfiado daquele canalha.Foi dele a culpa.
VAISA:_Dos sacos do lixo entupidos.E dos valores monetários ao vento.( RAIZ CONTINUA SE ESQUIVANDO)
RAIZ:_O medo....o azedar de qualquer vinho.
VAISA:_O seu irmão é íntegro.
RAIZ:_Integridade lhe manda notícias.Um falso,que é.Como soube do banco? Foi ele? Sim foi ele! Ninguém mais sabia.
VAISA:_Mas as sobras guardaste.
Raiz:_Não devia ter acontecido.Muita coisa não devia ter sido,e foi.Dinheiro fácil,vai como plumas ao vento.
VAISA:_Deu aos pobres?
RAIZ:_Pobres?...pobre sempre haverá…fortunas....também.Como é enganoso o vies do poder….a gente sempre quer algo mais.
VAISA:_ E gastou todo dinheiro investindo em moradias?
RAIZ:_Empreendi.Gastei o meu tempo comprando e vendendo.
VAISA:_Mal…administrou muito mal.Não fosse o coitado do Romã,sabe se lá,em que lugar estaria agora.
RAIZ:_Lá vem o cara de novo.Poderia prestar mais atenção em mim?
VAISA:_Pois bem!…Vamos lá! Sabe quanto tempo está aqui?..melhor…pode me dizer o que fez?Como gastou o dinheiro?O que fez?
RAIZ:_Não gente,não dá mesmo.Até isso o crapúla contou.Amigos!!!Quem precisa de inimigo, com um amigo deste.Pensar que coloquei em primeiro plano a nossa amizade.É pra isto que servem os amigos,é? Nos trair?Quero mais amizade não.A gente pensa que é tudo de boa companhia e,não é não.Viver só é melhor.
VAISA:_Alisou,alisou,acabou se fazendo de vítima.Vai ou não vai dizer?Ou quer que eu diga?
RAIZ:_Investi.Não disse.Comprei,e comprei.E nada do que fiz deu certo.
VAISA:_Investiu é? Se queimar dinheiro é investimento.Então investiu.E a proposta?
RAIZ:_Proposta? Que proposta?
VAISA:_Foram muitas as propostas,não se lembra?…E acabou dormindo no relento.Comendo a comida que as pessoas colocavam nas latas de lixo.
RAIZ:_ Nada disto é verdadeiro.Ele lhe disse é? Amigo! Deus me livre deste. .Tive o desprazer de confiar meus bons momentos com um cara desse? Que se é de fazer.
VAISA:_Lhe direi eu.És o mal, amigo:mal administrador.Mal companheiro e mal educado.Não bastasse a ruína total.Caído nas ruas,dormindo nas sarjetas e nos matos.Comendo restos do lixo.Ainda é mal agradecido.Tudo isto lhe sobreveio.De nenhuma deles tirou proveito algum.Se vê ai,é um semi-nu.Um desagregado total.
RAIZ:_Como poderia eu saber se nenhum fato é verídico.É tudo inventado.Quem um dia havia de dizer…depois do lhe proporcionei.É a vida!Assim é o ser humano.
VAISA:_Assim é a raíz,não é? Se a raiz é boa,a arvore dá bons frutos senão....e o Novidade?
RAIZ:---O que tem?
VAISA:---Foi o único que saiu perdendo na compensação.Deu-lhe a chave,a senha.....
RAIZ:---A mim não.Deu ao Romã que nos...ou quase...pensando foi o Novidade quem...
VAISA:---...os salvou.Ainda assim passou-lhe a perna.Sendo Novidade o gerente do banco,ficou mais fácil a questão do rombo. Mas,....
RAIZ:---Foi o Romã.Foi ele quem lhe deu todo o serviço.Em que quarto está agora hein? Falso,hipócreta!
VAISA:---...a sua astúcia lhe roubou a conciência.Anos se passam.As perdras,até as pedra se encontram.Novidade...aliás,o Novidade por causa desta aventura passou anos a fio numa penitência pra pagar o que não fez.Sem portas arrombada.Sem...ah,sim um segurança aleminado.Como o gerente,Novidade recebeu a paga, e a conta.Pagou o que não comeu nem bebeu.E num semáforo..um farol forte,alguns estampidos.Aqui estamos nós.
RAIZ:_Quer dizer…estou morto?
VAISA:_Depende.Se é a semente jogada na terra para germinar,pode ser.Se for para retornar no mal…depende do que se pode ver do cume do monte. vem cá.Olhe ali. ( ELE CHEGA ATÉ A JANELA.OLHA,VÊ AS VIDAS PASSAREM O ENTERRO,E TODO O ACONTECIDO.OLHA PRA ELA.E CAI DE JOELHOS COM AS MÃOS NA CABEÇA)
RAIZ_Meu Deus!!! Então é!

E É FIM

CENA II

( RAIZ ACORDA.SENTA NA CAMA DE PIJAMA.VAISA ENTRA COM UMA PRANCHETA NAS MÃOS)
RAIZ:---Engraçado...na maior velocidade ai.....
VAISA:_SPLASH!!!
RAIZ:_Foi!! Como sabe?
VAISA:--Deduz-se!
RAIZ:_Não dei por conta.Tava lá na minha frente…tava bem ali na minha cara.Dois farois enorme.Me lembro bem...agora estou aqui,enterrado sob estes cobertores.Longe daquele imbécil!
VAISA:_fácil é entornar o caldo nos outros.Inevitavel é se a culpa não for nossa.Creditá-la aos outros é sempre o melhor caminho.
RAIZ:_Minha que não é.Sou muito cauteloso…quando disse,e não mencionei nome algum.Quis dizer: Romã..
VAISA:_Culpar é o dever do devedor.
RAIZ:_(NÃO RESPONDE DE IMEDIATO) Se houvesse um alerta…é aquilo que se mede pela proporção.E não se mede pela qualificação.
VAISA:_E o caldo continua a ensopar o chão.Culpa....culpa que enche o próprio cantil.
RAIZ:_Do que me culpa? Não vê o estado em que me encontro?É fácil ficar aí surrando pessoas inocente quando não é sua a falta.Muito menos se for isto no sentido da dor. ( ELE SE ESPREGUIÇA) Ai,me doi todo! Estou sendo mandado de volta à fogueira.
VAISA:_Seu irmão?…de seu irmão hein!
RAIZ:_O que tem ele? Está aqui? Se estiver, espero que melhore.
VAISA:_ Espera?!
RAIZ:_É o que me vem à cabeça.Não quero vê-lo nas mesmas condições.
VAISA:_ Esses…estas condições? São tais o quê?
RAIZ:_Desse chão.Está infestado deles aqui.Me sobem pelas pernas.Comem o meu alimento.É uma praga que ninguém dá jeito.Impossivel é o dedetizamento. Tenho…tenho pra mim…esses rastejantes não podem ser reais.E são…são sim.Carnivóros!!! Mordem o tempo todo.A fora as picadas…rastejantes,snakes! São piores.Fui picado por uma na mão.
VAISA:_Tem mais alguma coisa que eu precise saber?
RAIZ:_ Não acredita não é? É só a noite cair, e eles começam vaguear.
VAISA:_Devo lembrar-lhe do banco.Os necrófagos e do lixo.(FAZ QUE NÃO ENTENDEU)

ATO II

CENA I

(O DINHEIRO HAVIA EVAPORADO,COMO EVAPORA A CHUVA EM NEVE.RAIZ AGORA ESTAVA ALI SEM NADA).

RAÍZ:---Havia um rio ali na rua.Nas margens,tudo que fora semeado crescia.Chuva seródia pincelava as mudas.Cresciam forte com vigor….Agora o ermo reina ali.Ningém mais fia sêda sobre o chão.Nenhum ser é mais...e só!
Passava um rio ali!!!
(VAÍSA O OBSEVAVA ATENTA A CADA PASSO A CADA JESTO)
VAISA:--Duro é abster-se de um ente querido.
RAÍZ:---É com arrancar um pedaço de nós.
VAISA--É... é uma perda e tanto.
RAÍZ:_Aonde procurasse um,lá o outro estava.
VAISA--Mas...mas continua...e a vida.
RAÍZ:_ Nem me fale.É como o rio sem curso abitual.
VAISA:--E o melhor? O melhor está por vir.Uma vida sem saudade.
RAÍZ:_Tenho cabeça pra pensar nisto agora não.
VAISA:---Findam-se os dias de ociosidade.
RAÍZ:---É só contornar os danos.
VAISA:---E as oportunidades? As festanças.As noites ineterruptas.
RAÍZ:---Agora não, depois.
VAISA:_E se depois for tarde? Se o momento for agora? Se o agora não esperar?
RAÍZ:--- No momento só quero me debruçar no esquecimento.
VAISA:_Pense no que é certo.No infinito cara!
RAÍZ:_Nada é certo.Nada é verdadeiro diante ato final.
VAISA:_Se não pode mudar o carater nem oferecer o oposto.Mude-se então,Ou se degrade de vez.Mas que seja firme e leal.
RAÍZ:---Nunca houve lealdade maior.E aquilo buscado não é o mesmo que foi.Estão se perdendo nas coisas perdidas da vida.
VAISA:_Sei!... a tua dor..O teu sentimento, o coração magoado e triste.
RAÍZ:_Ningém pode entender o que não tem cor.Até a paz o sossego não tem preço.
VAISA:---Se juntarmos o que tem.A vontade de vencer,está aí a fórmula.A receita é certa.
RAÍZ:_Já passei por isso.Receitaram-me coisa e coisas.Eu desci.Descubro que a queda e o dinheiro não tem carismas.Ou o sujeito tem,ou nada se pode fazer.Ele dá o luxo,o suporte,o estato até a elevação,mas sem o pé no chão...é massa fora de lugar.Cascalho somente.
VAISA:_Talvez,por ter ido à lugares improvavéis.Aqui,quem têm pode.É só sugerir.A busca não acaba na infecundação.
RAÍZ:_Agora?... assim?...aqui? Improvavel! Ali velam o meu melhor amigo.Um irmão.
VAISA:_Um corpo…E nem viu o seu destino na esteira…Pense! É provaval que seja assim.Um comanda o outro de fora.
RAÍZ:_ Já me lavei nisto também.O provavel é a sobriedade da vida se contamine num frasco qualquer.E nem veja a encruzilhado afundando nos destinos à seguir…Ouve! Estão chamando o meu nome.Ele disse:todo mal vem da raíz.Ou,se a Raíz é má,o fruto é mau.Algo assim.
VAISA:_A voz que chama pelo seu nome diz isto?
RAÍZ:_A voz não.O momento pesaroso a dor.A conciência quem sabe.Por outro lado…parece-me bom o som…Parece não.É de mal agouro.
VAISA:---Elevemos-nos,enquanto podemos.Depois não há resposta e é tudo um nicho só.Posso ditar-lhe um trilhão de versos.De mentiras.De piedade se quiser.Até mesmo de leituras saturadas do último momento atual.Das sacanagens dos dias conturbados.Das idas e vindas.De tudo.Só não posso lhe desiludir.Nem lhe tirar o sono.É bom ou não é?
RAÍZ:_Me absterei de dar-te respostas depois,agora não posso.No momento prefiro consumir-me ante essa dor.Não que seja má.Não é.Dor é sempre dor.Nada mais que dor.
VAISA:_Compre de mim roupas brancas,para que a nudês de suas idéias não sejam vistas.
RAÍZ:_Este,eu conheço.E tu o que é?
VAISA:_EU?..Sou,o que sou.
RAÍZ:_Não venha agora atormentar o meu sofrer.Deixe só.Não dê aquilo que não conhece.Ou aquilo que supura a dor.
Não bastasse essa gente oprimida que insistem em assediar.As vezes tenho a impressão de está num funil.


CENA VII

RAIZ:---Decorou a senha?
ROMÃ:---Já! Ainda acho que é muita responsabilidade.Que....
RAIZ:---Sem essa né! quem maneja bem os números aqui hein?
ROMÃ:--E se anotasse em um.....
RAIZ:---Pirou! anoto os números,esqueço em cima de algum espaço...pirou!
ROMÃ:--Tá,tá! A que horas vamos?
RAIZ:---Tá lerdo hoje né Romã.Já não combinamos antes? Se preocupe não.Vai ser moleza.É só entrar e sair com o dinheiro.Não tem erro.
ROMÃ:---O nó está é ai.Quando é coisa muito fácel.
RAIZ:---Não vejo em que parte está o erro.A chave está contigo.A senha tá.É só botar a mão na grana e pronto.
ROMÃ:---Talvez tenha razão.Me dá um friozinho no ventre.

(NO SUBSOLO DO BANCO.NOVIDADE TRAJANDO TERNO.HORA ASSENTA NO BANQUINHO.HORA CAMINHA ESFREGANDO AS MÃOS.O NERVOSISMO É APARENTE.SENTA,DEPOIS SE LEVANTA.VAI ATÉ A MESA QUE ESTÃO OS PETISCOS.APANHA UMA GARRAFA COM ÁGUA.ENCHE UM COPO.BEBE,COLOCA A GARRAFA NO LUGAR.OUVE UM TRIC DO COFRE ABRINDO.RETIRA DO BOLSO O CONTROLE REMOTO.APERTA ALGUNS NÚMEROS.PUXA A PORTA ATE O CANTO.ENTRA DENTRO DO COFRE.PEGA UM HOMEM,COLOCA-O PERTO DO BANQUINHO.VOLTA,PEGA O OUTRO.COLOCA-O PERTO DO PRIMEIRO.RETIRA NOVAMENTE DO BOLSO O CONTROLE,APERTA NOVAMENTE OS NÚMEROS.A PORTA É FECHADA DE UMA SÓ VEZ.ELE MASSAGEA O PULSO DE UM.O CORAÇÃO E FAZ REPIRAÇÃO BOCA A BOCA.O HOMEM COMEÇA A RESPIRAR.ELE FAZ O MESMO COM O OUTRO.EM ALGUNS MINUTOS OS DOIS ESTÃO ASSENTADOS NO CHÃO.NOVIDADE PEGA DOIS COPOS ENCHE COM ÁGUA, DÁ UM PRA CADA).

CENA VI

RAÍZ:---....chega lá e diz pro Novidade.Não pague a fatura agora.Deixe para amanhã.Pague com os juros.Repete.
ROMÃ:---Tá memória!.
RAÍZ:----Repete igual sem comer uma vírgula.Vai,repete.(ROMÃ REPETE O QUE RAÍZ DISSE DE UMA SÓ VEZ) Assim não.Fala como se dançasse a valsa.
ROMÃ:---Pára com isso.Sabe que não sei dançar nada.Imagina,valsa!
RAÍZ:---Tal qual eu disse.Vai,repete.Não confio na sua cabeça.(ROMÃ ENTÃO DIZ COMO SE ESTIVESSE... valsando).É assim que é.
(NUM CANTO SOMENTE SOB UM FOCO DE LUZ.ROMÃ CONVERSA COM NOVIDADE)
ROMÃ:---Foi o que ele disse.Me mandou até repetir pra não errar.
NOVIDADE:_Tem certeza que foi isto mesmo?
ROMÃ:_ Tão certo como o amanhã há de se levantar nos montes.Ele disse:Vai lá,diz pro o Novidade pegar o boleto.Pagar a conta.Tem uma coisa de juros...isto não lembro bem.
NOVIDADE:_ Estranho! De manhã diz uma coisa,a tarde manda dizer outra!
ROMÃ:_Sabe como ele é,muda de assunto como se mudasse de roupa.
NOVIDADE:_Isto não esta certo.Era pra pagar com os juros.Se assim é,assim será.
(NOUTRO CANTO,RAÍZ,CONVERSA COM UM AMIGO)
RAÍZ:_Nem me deixou esplicar direito.
AMIGO:_ Deixou de gostar então.Se vai partir diz a verdade.
RAÍZ:_ Com ela não tem conversa.Disse que a moda agora é penalisar o sujeito com pesada multa.Só assim dá o divórcio.Só porque me abri as pernas de vez em quando acha-se minha dona.E quando quer.
AMIGO:_ Vai levar o Romã?
RAÍZ:_ Aquele lá me larga? Só posso me desfazer dele,fugindo.Se fosse o caso,mas não é.
AMIGO:---Estamos nos despedindo então?
RAÍZ:_ Gosto de despedidas não.Prefiro outra sugestão.Até cá,techau,sei lá!De despedidas não gosto.
AMIGO:_É! E sejas bastante feliz! Tem o direito de dizer e fazer o que quiser.É de muita coragem também.
RAÍZ:_ Tem hora que...ou a gente chuta a porta,ou é ela que cai em cima da gente .Tem meio termo não.De vida confinada e alienada,o mundo tá cheio.Preferem escamotear do que se colocar à vista.Uns assumem outros se vestem do disface.Que é o mais indicado?Eu no momento prefiro a fuga.
AMIGO:_ Não estou criticando.Acho-o de muita coragem.Assim na teoria, é um bastão e tanto.Na frente da vítima é que a coisa ferve.Ningém está preparado pra uma separação assim de supetão.Ainda mais se tratando de anos a fio.Falo dela,não de ti.
RAÍZ:_No fundo,ela também já está se preparendo.Dizem que as mulheres têm o sexto sentido.Ela sabe sim.Falta aquele til da confirmação.É só.Agora vou mesmo.
AMIGO:_É pena! Mas,nem tudo são só lágrimas.A gente se vê um dia.(DESPEDEM-SE RAÍZ ENCONTRA COM ROMÃ)_
RAÍZ:_ Toma! (ENTREGA-LHE UMA ARMA)
ROMÃ:--Quero isto não.
RAÍZ:_Pega isto canalha,pega!
ROMÃ:_ (OLHA PRA ARMA)Vou querer não.Quero isto pra mim não.(ROMÃ ACABA PEGANDO A ARMA)
RAÍZ:_Aponta bem aqui na minha testa e atira. (OLHA-O FIXAMENTE)Era pra pagar com os juros,não com o total.
ROMÃ:_Mandou tá mandado.Agora quer bronquear.Comigo não!
RAÍZ:_ Mandei? Eu mandei?
ROMÃ:_ Disse que era pra pagar a dívida.É pra pagar,tá pago.
RAÍZ:_ Com os juros imbecil,com os juros!
ROMÃ:_É,foi isto mesmo! Tá cansado de saber.Se me manda fazer alguma coisa depois diz pra não me esquecer...me esqueço.
RAÍZ:_O nosso tempo está contado.Depois,conversaremos,sobre o assunto.Agora é a hora vamos lá.A hora não nos espera.Vamos ver se pelo menos faz algo melhor.Hoje você cagou nas beiradas. Não vai poder errar.Se errar,é fatal.



CENA V

DOIS SEGURAÇAS COM LANTERNAS NAS MÃOS.CHEGAM ATÉ O COFRE DEPOIS DE TER PROCURADO PELO COLEGA).

SEG1:_Aqui não está.
SEG2:---E comeu bem.Olha quanta comida há nesta mesa.Bebida tem até um controle de DVD.
SEG1:---Do cofre.É contrôle do cofre.
SEG2:--(PEGANDO O CONTRÔLE E APONTANDO-O PARA O COFRE) vamos abrir.
SEG1:--Se souber a senha.(VÊ O RÁDIOTRANSMISSOR EM CIMA DA MESA) O rádio esta aqui.( LIGA O RÁDIOTRANSMISSOR) Juriti chamando central.Juriti...
VOZ:---Juriti seu filho d'uma que ronca e fuça.A gente chama,você não retorna.Você põe cabelos brancos na cabeça da gente seu filho d'uma égua.Táva fazendo o que que não respondeu?
SEG1:---Dando buscas.Tudo vai bem.E ai?
VOZ:---Buscando o que num lugar sem viva alma? Mandei dois seguranças pra ver a razão do teu silêncio. Quando eles chegarem ai.Diz pra não demorar.Estão esperando por eles lá...eles sabem aonde é.Olha lá seu renegado.Não durma.Desligo!
SEG1:----Entendido! Ouviu? Vamos lá.
SEG2:--O Juriti não tá,vamos assim mesmo?
SEG1:---Vamos.O puto faz sempre isto,some. Amanhã quando chegarem pra fazer a troca.Aparece com a cara de nada ter acontecido.Vamos lá.
(O SEGURAÇÃ 2 VÊ OS SACOS DE LIXO ENCOSTADOS NA PAREDE,ESTENDE AS MÃOS PARA PEGA-LOS) Vai fazer o quê?
SEG2:--Jogar fora.
SEG1:--E os faxineiros coçam...deixa isto ai.Vamos embora.Dê-me o contrôle.
(COLOCA O CONTRÔLE NA MESA PERTO DO RÁDIO TRANSMISSOR E SAEM).