quarta-feira, 9 de março de 2011

CENA IV

Cena VI

( TEREZA ESTÁ OLHANDO À RUA DEBRUÇADA NA JANELA.DONA MARIA DAS COVES VAI PASSANDO COM UM BALAIO NA CABEÇA)
TEREZA:—Como vai a senhora dona Maria da Coves? Vou indo,sabe como é.Foi bom ver a senhora.Tô que não aguento de aperto no coração pelo agravo que fiz à senhora na quele dia.Eu tava muito angustiada.Foi numa epoca de muito entra e sai da minha casa.Fiz….a senhora acredita que fiz até jejum pedindo a Deus que a senhora me perdoace? Tem dona Maria das Coves.Tem sim! Deus não gosta de gente que não pxerdoa o seu semelhante.Tem importância sim senhora.Sei que já é esquecido pela senhora,mas pra mim ainda me doia o coração.Agora sim.Tô de alma lavada.(A DONA MARIA MUDA O ASSUNTO) Falndo que a Maria Elvira não foi embora? Se não foi tá aonde dona Maria das Coves? Muita gente a viu naquela manhã de malas na mão entrando no cata osso.Como ninguém viu.Tão achando o que? enão dona Maria,ela tem de tá numa casa destas dai.Daqui ela saiu e não voltou.Que doença! Se tivesse doente aqui em casa eu não ia dizer? Agora….agora a senhora me botou um desses bichinhos que fuxica a cabeça da gente.Não vou poder dormir sossegada depois do que a senhora me contou.Será que ela e o Joãozinho!!! Eu não acredito! A senhora acha é? Maria Elvira é hoje uma mulher ajuizada.Não ia querer desfazer o casamento de Joãozinho.Viu foi! Então as noites que cheva tarde da noite tava com ele? Dona Maria das Coves!!! Hi eu sou a última a saber.A senhora tem razão dona Maria das Coves.Se não embarcou naquele cata osso,só pode ter ido ficar com ele.E a mulher dele? Então tá explicado.A mulher dele foi passar uns dias na casa da mãe.Juntou a fome com a vontade de comer.No mesmo dia dona Maria? Que engraçado! como planejaram bem.E a senhora,só a senhora acha isto? na venda do seu Juca? Que tem lá? Ham! É de lá que saiu a conversa.E eu aqui na minha inocência de nada sei.Não.Não sabia de nada.Tô sabendo agora que a senhora me conta.ENtão Maria Elvira não entrou naquele cata osso? Saiu daqui de madrugada.Se né eu que a acordo,tinha perdido o….tô vendo que a senhora tá com peso na cabeça.Ponha o balaio no chão ora essa! Tá com pressa? Tá,então tá! Agradeço dona Maria das coves.( TEREZA SAI DA JANELA E FECHA-A) Quer dizer que Maria Elvira andou amassando mato com aquele miserável? Se eu não soubesse aonde ela está.Era capaz de crer na história que a mulher me contou.( TEREZA LEVA A MÃO Á CABEÇA E QUASE CAI) Ui,que pontada na nuca.Uma tonturazinha! Eu quase cai.Que coisa esquisita!
( NO QUARTO MARIA ELVIRA ANDA DE UM LADO À OUTRO COM JEITO DE SATISFEITA)
ELVIRA:—….se o meu marido…deve está preocupado.Pra escrever está…com o tempo….Tereza disse que já tem um mês. É besteira essa ansiedade.É esperar pra ler e conhecer o conteúdo da carta. Que espera meu Deus! Que…..e se ele tiver escrito que vem me buscar? Não.Tereza vai dizer que não estou aqui.Ai,ai está tudo perdido.Ninguém encontra a entrada deste lugar sem conhecer.Saindo da casa.Tem o quintal.No fundo,bem no fundo tem o paiol.Dentro do paiol é que está a entrada.Tem que retirar as tuias.Em baixo de uma bem grade está o alçapão.Depois de aberto no canto a tomada da luz.A gente liga.O corredor fica todo iluminado.Anda-se um pouco e pronto.Eis o quarto.Maria Tereza Não vai deixar….ninguém sabe que este quarto existe.Foi o meu pai que construiu.Ele acreditava que a guerra ia chegar aqui.Ai junto com os irmão as escondidas construiu este quarto pra esconder toda a família.A guerra por aqui não passou.O meu pai e a minha mãe e os irmão morreram.O quarto continua e só Tereza e sabemos da sua existência .Na cidade tem algumas pessoas que acreditam na existência do quarto,mas ninguém tem certeza se é verdade ou não.E aqui estou….( ELA OUVE A FECHADURA DESTRANCAR A PORTA) é ela finamente. ( TEREZA ENTRA COM AS MÃOS NAS COSTAS)
TEREZA:—Quer dizer então que ocê tá lá na casa do Joãozinho?
ELVIRA:—A carta? Dê-me a carta!
TEREZA:—Que sem vergonha é ocê né Maria Elvira? Enganadora! Ao invés de pegar o cata osso,ir pra casa do seu marido.Que fez ocê? Aproveitou que a mulher dele foi cuidar da mãe que tá doente.Foi com ele amassar mato.Fornicar!
ELVIRA:—-Não vou me deixar levar por boatos.A carta aonde está?
TEREZA:—-Boato?! Safadeza…se eu tivesse alguma carta,pensa que lhe daria?Ocê não merece tratamento de gente….fiz tudo p’ocê Maria Elvira.Cuidei d’ocê como a mãe cuida do filho que acabou de nascer.Chegava tarde da noite.Eu pensando que tivesse na casa da comadre Ana.De quem quer que seja,mas,não.Tava lá com ele na safadeza.Eu pensando….(ANTES QUE ELA COMPLETE A FRASE,ELVIRA GRITA)
ELVIRA:—Chega Tereza! Chega,passou da medida! Dê-me logo a maldita carta e suma da minha frente.( TEREZA ARREGALA OS OLHOS.ESFREGA AS MÃOS) .
TEREZA:—Precisa ficar assim? Ai meu Deus,a pontada de novo.( ELA LEVA A MÃO À CABEÇA) Aquela tonteirazinha.Olha eu gente,olha eu! ( TEREZA DÁ DUAS RODAS E CAI NO CHÃO)
ELVIRA:—(APAVORADA) Tereza! Mau Deus,Tereza! ( SACODE-A) Será que morreu? ( ELVIRA COM DIFICULDADE CARREGA TEREZA ATÉ A CAMA.AJEITA-A DE MÃOS SOBRE O PEITO.SE AJEITA DIANTE DO ESPELHO E SAI DEIXANDO A PORTA ABERTA).

CENA II

(No espaço do quarto,tem uma cama bem larga.Perto da porta de entrada,há uma porta que vai dar no banheiro.Na parede perto da porta,há uma minúscula janela,de onde se ouve o barulho de água.Maria Elvira lê uma bíblia assentada na cama)

ELVIRA:--Estou besta.Tereza Deve está retornando a nossa infância,quando me trancava aqui,depois voltava rindo e se desculpando.É no mingau que colocou alguma coisa!...Foi o que comi ontem a noite quando cheguei.(Ela fala imitando a Tereza) Fiz p'rocê besta! Naquela calma! Quem não comeria? Três semanas!...É...
não devo dar atenção as coisa ditas por ela.Deitei-me ontem na cama.Lembro-me ter sido levada por alguém até a cama.Foi ontem,não é uma semana como diz.Ainda estou com a mesma roupa.Se dormisse uma semana inteira,teria morrido.Esta camisola estaria um fedor só.Não tem cabimento! É... é prisão sim.Manter-me presa aqui só pra eu aceitar a Jesus como o meu único salvador, ignorância dela.O meu marido não há de estranhar,sabendo que estou bem aqui.Bem entre aspas! Não sei o que pode fazer uma pessoa alucinada.Ali tem o banheiro.Na parede por onde desce a comida é muito apertado.Naquela janelinha,mesmo se retirasse a grade,não passaria o meu corpo..o jeito é esperar pra ver até onde vai a maluquice dela. Tenho de me lembrar.Mas do que? Aqui a gente se escondia pra contar os nossos segredinhos. Ela tinha sempre mais à contar do que eu.Mamãe ficava uma fera quando descia e via nós duas brincado e rindo.Aqui era o quarto do nosso esconderijo.Não há como sair,senão pela porta que só abri do lado de fora.Vou tentar na conversa,se não der,tento me lembrar de algo determinante.Tenho que sair daqui.O quanto continua do mesmo jeito.Ela limpa tudo direitinho,até o banheiro. Se esta gente...eu já tinha me despedido de todo mundo! Tudo planejado.Os minutos,as horas, e até as despedidas.De besta Tereza não tem nada.Como me lembrar de algo arrebatador? ( Ela ouve achave torcendo na fechadura da porta)

A CLAMAÇÃO

ATO IV
CENA I
TEREZA:-Faz hoje oito dias que Maria Elvira foi embora.Nem um recado.Podia ter telefonado pelo menos pra agradecer a hospedagem.Eu não tenho telefone.Mas,na venda do seu Juca tem.Eles me falam se ela telefonar.Uma ingrata.Sai calada e nem um bilhete manda.(Ouve-se barulho na rua,uma gritaria) Que zueira é essa na minha porta?(Abre a janela).Acabei de pensar n'ocê Maria Elvira.Que faz ai dentro deste carro de polícia menina?Que vergonha meu Deus.Gente da minha família nunca entrou num carro de polícia.Tinha de ser ocê né Maria Elvira!Que fez ela comadre?Buscar a mim? Se tô quieta aqui cuidando dos meus afazeres comadre!Buscar a mim pra que? Ah,pra testemunhar contra ela!É mentira dela.Fala isso de dentro do carro!Sai daí Maria Elvira.Vem dizer pra mim o que a comadre está dizendo.Protegida de que? Não pode por que? Tratei esta malcriada com pão- de- lô.Me trás a polícia pra agradecer.Depois de oito dias,né
Maria Elvira! Vem cá,vem provar na minha cara que lhe prendi,vem!Essa menina saiu corrida daqui,deixou todas as suas malas entupidas de roupa.Deve está nua né Maria Elvira,deixou tudo aqui! Abro não! A minha porta só abro pra quem é enviado de Cristo.Ante- cristo não é.Maria Elvira!!!Aliou-se ao diabo!Quem é a senhora dona Maria das Coves?Uma ninguém. Quem disse isto pra senhora?Aqui não tem quarto secreto.Que quarto secreto,num cochixó de casa desta?A senhora anda é variando.Vai plantar babatata.Rende mais,e não tem piolho.A senhora não limpa os piolho das couves que vende?Deixa a Maria Elvira falar pra mim gente.Ficou muda é?Pode falar sim.Tá na minha porta.Quem é esta mulher ai vestida de homem me olhando com os braços cruzados?Não gosto de mulher não.Sou ovelha de cristo.Ele é o meu pastor,nada me faltará.Esperando quem chegar?Chegar pra quê?Quero ver alguém me arrancar daqui.Tô no meu direito.A casa é minha. Tem madato do juiz,tem?Nenhum de vocês ai têm provas contra mim.Ora Maria Elvira! Maria Elvira é doida.Cês vão acreditar na palavra de uma lunática?Por que não sai deste carro? E o medo de me encarar.Vem falar comigo cara-a cara.Já sei,tá com vergonha.Saiu fugida gente.Agora chora aí no carro dos outros.Êh,seu Juca até o senhor né?Ao invés de ir trabalhar pra dar de comer pra reca de filhos que tem,fica aí fazendo couro pra essa gente que não tem o que fazer.Deus aleijou o senhor na perna errada.O senhor entendeu!A paz do senhor pastor! Pro senhor ver,até pro homem de Deus sobrou.É Maria Elvira! Fugiu da minha casa,dixando todas as suas malas.Agora estão ai querendo arrombar a minha porta.Né isto não pastor!O que a dona Maria das coves diz é mentira.Imagina se eu ia prender a minha própria irmã.Se ela tiver um mandado pra entrar na minha casa,eu deixo entrar.Mulher na polícia....vai procurar roupa pra lavar.Lugar de mulher é cuidando do marido e dos filhos.Tá,se é só o senhor pastor,eu deixo entrar.Vou mostrar pro senhor as malas dela.Aí o senhor vê se tenho razão ou não.Pode verificar se tem quarto secreto,como estão falando.(Ao ínves do pastor, entra a polícial)
POLÍCIAL:-A senhora está presa dona Maria Tereza da Silva.Por provocar as pessoas.Por causar pânico, por resistir a prisão.Por cárcere privado,seqüestro calúnia e defamação.Por resistir a prisão.
TEREZA:-Cadê o pastor? E a Maria Elvira,vai continuar dentro daquele carro é?(Vai à janela) Êh Maria Elvira,se a mãe estivesse viva,ia ver uma coisa.Judas,se comigo é assim,imagina com os outros!(Volta à policial) Esses cães raivosos.Essa igrata!
POLICIAL:-A senhora tem direito a um advogado.Se não tiver,o estado lhe consederá um.Tem o direito de ficar calada.Tudo aquilo que disser,será usado contra a senhora no tribunal.
TEREZA:-Mas,tudo que usar contra mim,em juizo eu a condenarei.
( A pocilial sai levando Maria Tereza pelo braço).

CENA III

(Maria Tereza se veste como se fosse Elvira.Muda a postura.Abre a Janela debruça sobre o para peito).

TEREZA:-- Bom dia com...dona Ana! Não,ela ainda não se levantou.Sabe como é, tem dia que dorme um pouco mais.Eu não me importo.Dá descanso.Tereza tá difícil de aguentar.Implica com tudo.Imagina a senhora que ontem teimou que eu quebrei um vaso de sua estima.Se nem vaso ele tem com...dona Ana.Teima e teima.Disse que o meu arroz é queimado e gruda no fundo da panela.E o meu café? Disse que é de borra de café,pode com...dona Ana? Deve ser.É de Dois anos pra cá.Põe a culpa é em mim.Disse que se não fosse eu ter atado ela à cama...quando foi que atei Tereza à cama com...dona Ana? Pra aceitar a Jesus.Pode alguem prender uma pessoa pra que esta pessoa aceite a Jesus como o seu salvador? Se foi jesus mesmo que disse que não é por força.A própria pessoa é quem tem que tomar a descisão,não acha com...dona ana? Ela é quem me mantém aprisionada aqui.A senhora viu o bafafa que foi.Fala pra ela,fala. É aquela mesma conversa.Do carro da policial e tudo.Ficou dois anos cozendo e cozinhando lá na prisão.Sei que ninguém podia livrá-la,mas com...dona Ana ela não tinha dinheiro para pagar a fiança.Era a fiança ou dois anos reclusa.Foi o que disse a juíza.Ficou dois anos.Pra senhora ver.É o que eu acho também.Diz isso pra ela diz.É capaz de joga uma chaleira de água quente na senhora .
Conversa....essa gente não sabe o que diz.Quem falou do quarto?Que querto secreto com..dona Ana? Cuidou bem de mim sim,durante o tempo que fiquei presa lá.No quarto dela ora! E nem vão encontrar, a entrada é secreta.De mim, a senhora,nem ninguém ficará sabendo de nada.Talvez a Tereza com jeito lhe conte.Eu não.É segredo de família. Banana pressa gente curiosa! Né pra senhora não.O povo deste lugar...como ia dizendo.Ela voltou meio lerda sem dar conta das coisas depois dos
dias de reclusão.De vez em quando fica ali parada,olhando pra não sei pra onde.Diz umas coisas sem razão.(Como se ouvisse Tereza chamar respoande) Já tô indo.Não vai me fazer lambança Tereza.Tenha calma,estou conversando com a com..quer dizer,dona Ana.O seu assunto pode muito bem esperar.É assim,resmunga,grita pra chamar a atenção da gente.Vive falando como se o coronel,o padre Euzebio vivos fossem.Gente esses dois estão lá plantados no semitério.Vá lá dizer à ela que morreram...tem hora que atina,e considera,noutra,diz que eu tô é louca.Na igreja com...dona Ana,não vai mais não.Tanto o pastor quanto as irmãs não aceitam o fato ocorrido.Jesus disse que a gente tem que perdoar as ofenças.Jesus perdoa,os homens não.As leis do homem é dura.Onde já se viu Deus penalizar alguém por causa do dízimo.E o dízimo foi criado para que os povos tivessem mais união e menos egoísmo.Cada um levava os dez por cento estipulados para festejar no lugar que Deus escolhia para ser comido.Não era pra festejar a colheta com..dona Ana? Hoje em dia virou moeda de troca.Riqueza pra quem recebe e castigo pra quem não dá,é mole! Se examinassem as escrituras como os antigos faziam.Saberiam pra que ser o dízimo.Já vai com...quer dizer,dona Ana? Dê lembraças minha a minha...quer dizer... a afilhada de Tereza.Amanhã Tereza fala com a senhora.E a gente ainda aguenta o arado como boi fosse.

(Ela fecha a janela.Dias depois a gente ainda via a janela fechada.Nem a porta era mais aberta.Ficou assim até os dias atuais.Nunca mais aquela jenela foi aberta novamente depois daquele dia.Nem a cidade quis mais ouvir,ou falar no nome de Maria Tereza.Maria Elvira abandonou de vez a cidade)

FIM

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CENA IV




( É PASSADO MUITO TEMPO.NA MESMA IGREJA.NO TÉRMINO DO CULTO PASTOR)

PASTOR:--Que o SENHOR te guarde;O Senhor ponha a mão sobre ti;O Senhor levanta rosto sobre ti,e te dê a paz.(O PASTOR,VEM EM DIREÇÃO AO JOVEM QUE O OBSERVAVA QUANDO ESSE PREGAVA A PALAVRA.)
PASTOR:--E o jovem gostou da mensagem?.Notei a cara de felicidade que fazia enquanto ouvia a pregação.O Senhor tem uma obra na sua vida.
LAET:--É!
PASTOR:_Quando a palavra nos toca,Deus está falando aos nossos corações.
LAERT:--É?
PASTOR:--Quando Deus fala meu jovem...obedecer é melhor do que sacrificar.
LAERT:--Isto quer dizer o que?
PASTOR:---Fazemos a reunião pra isto.Detectar a semente do mal.Arrancar essa semente maligna,restaurar a ferida.
LAERT:--É mais culto não? Agora é reunião?
PASTOR:--Uma coisa,nada tem há ver com a outra.Se culto,culto.Resultados iguais.
LAERT:--E DEUS?!
PASTOR:_Está no negócio!Sem ele o resultado não seria o mesmo.
LAERT:--E senhor conhece o deus à quem prega a mensagem?
PASTOR:--O filho conhece o seu pai não conhece? Que pai seria esse,se não conhecesse o filho seu?
LAERT:--E o senhor fala com Ele?
PASTOR:--Tal como estamos falando agora.Ele está em mim,eu nele.
LAERT:--O que ele mandou dizer o senhor não disse.
PASTOR:--Disse sim.O jovem que não prestou atenção...A igreja hoje,tem mais opções.Membros que já falam línguas estranhas.É uma igreja próspera.Há unção vinda de todos os lugares.
LAERT:--Disse o Senhor!...Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos,e nem assim me ouvirão.De sorte que as línguas constituem um sinal não é para os incrédulos e sim para os que crêem.Se,pois,toda a igreja se reunir no mesmo lugar,e todos se puzerem a falar em outras línguas,no caso de entrarem sem indoutos ou incrédulos,não diram,porventura,que estão loucos?
PASTOR:_É,tem toda razão.Mas,loucos seriam os que não absovem a verdaderia vontade do Senhor.
LAERT:--Quisera que vós todos falássem em outras línguas;muito mais,porem,que profetizásseies;pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas,salvo se as interpretar,para que a igreja receba edificação.Agora se for ter convosco falando em outras línguas,em que vos aproveitareis.se vos não falar por meio da revelação,ou da ciência,ou de profécia.Ou de doutrina?Dou graças a Deus.porque falo em outras línguas mais que vós.Contudo,prefiro falar no igreja cinco palavras com o meu entendimento,para instruir outros,do que falar dez mil em outras línguas.
PASTOR:_Do mesmo modo...aqui,tudo tem sido feito com cuidado e moderação.Além do que sem fé ninguém chega à Deus.A língua é o dom do Espírito que vela por nós.
LAERT:--Mas é falho.Por isto agora falo e dou testemunho no Senhor,que não mais vos porteis como se portam os gentios,na vaidade da sua mente.Escurecidos no entendimento,separados da vida de Deus pela falta de conhecimento dos seus corações.
PASTOR:_O mandamento de Deus diz isto.
LAERT:--Ninguém vos iluda com palavras vãs;pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.Então não sejais participantes com eles.Porque antes éreis das trevas,mas agora sois da luz no Senhor;caminhai como filhos da luz.Porque o fruto da luz em toda bondade,justiça e verdade.Não vos associeis às obras sem frutos das trevas,mas antes rejeitai-as.Pois as coisas feitas por eles em oculto,até o dizê-lo é vergonhoso.Tudo,pois,que se manifesta é luz.Por isso ele diz:Desperta tu que dormes,e levanta-te dentre os mortos,e a luz brilhará sobre ti.
(DIZENDO ISTO,BATE PALMAS.O PASTOR DESPERTA,COMO NUM CHOQUE REPENTINO)
Por isto,não sejais insensatos,mas entendei qual é a vontade do Senhor.E não embriagueis com vinho,onde há contendas,mas enchei-vos do Espírito;Falando entre vos em salmos,e hinos,e salmodiando ao Senhor,e cantando cânticos espirituais,nos vossos corações;Agradecendo sempre a Deus,submetendo-vos uns aos outros no temor de Deus.
PASTOR:_Antes,estive como que estivesse dormindo.Foi o som da sua boca.As palavras saindo zumbindo feito necta nos meus ouvidos.Tinha a impressão de está ouvindo cachoeiras,e cantos ao longe.Era bom o som.
LAERT:--Está vendo isto aqui?
(MOSTRA-O A NOTA PRÓMISSORIA) É laço! (RASGA-A) Agora estas livre.Cuida para que não volte a cair novamente.
PASTOR:_Não me lembro ter ouvido dizer o teu nome
LAERT:--É importante não.Importa mais salvar vidas,e desprender almas de penas urdidas.Eu vim para libertar os cativos.Nomes confundem e se opõe ao mais importante.
(DEPOIS DISTO,AZ SE VIRA E SAI)
PASTOR: (OLHA PARA O LADO)Num canto,tem um móvel precisando de reparo.O cochilo que dei serviu pra manter-me descançado! Quanto tempo dormi? Pareceu-me ter uma eternidade pra reformar,e continuar sobriu.Quando a gente pensa que fez alguma coisa boa!...Há muito mais por fazer!
LAERT:---Se o rio não muda o seu curso natrural.Pra que querer mudar aquilo que não podes mundar?

FIM

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CENA III




(O PASTOR ENTRA PARA O GABINETE.LAERT ESTÁ PARADO NA PORTA DA ENTRADA.EVAIR VAI SAIR... DEVO LEMBRAR,QUE O MESMO ATOR,FAZ OS DOIS PAPEIS)

LAERT:--Oi Vair!
EVAIR:--Laert!!! Faz o quê aqui?
LAERT:-- O mesmo.
EVAIR:---Do que?
LAERT:---Do confisco.
EVAIR:---Ah não! Foi um trabalho estrategicamente planejado.
LAERT:--Caro Vair,podemos desativar arapuca. Antes de ser ativada.
EVAIR:---É pra intimidar? .Tem próblema demais por aqui.Não vamos desmoronar nada.A recompensa ainda pode ser tua..
LAERT:---Recompensa?... E a persuasão acompanha?...O pastor soubeste preparar bem.
EVAIR:--Eu persuadindo?!..Foi bom dizer...viu,que cara safado?...que bom que viu e ouviu.Aquele Pastor é um caso perdido.Queria porque queria... subornar-me com aquela conversa manhosa.E o desejo? Igreja nova... tudo novo dentro.Sem falar na participação das ofertas e dízimos..Não...claro que não concordei.Meu trabalho não caminha por esse lado.Esse Pastor hein!...Como engana bem! quem vê meu caro Laert...não diz.
LAERT:-- Nem vou falar da sedução!
EVAIR:--Como sedu?...Eu é que não me viro senão!! Ainda bem que esteva ai por perto.Vai poder servir-me de testemunha.Aquele lá nem vento forte afasta do caminho.
LAERT:-Meu caro vair! Ah Vair! Foi enganado por um pastor!
EVAIR:--Foi...foi assim mesmo.O engano corrumpe.Saem do artificio,para cair,no artificial.
LAERT:--Comovido!...Estou comovido. Que gênero prefere?Drama,ou comédia?
EVAIR:--Não entendeu nada.Está trocando tudo.Este Pastor não é inocente,abra os teus olhos? Fazer algo pelos pecadores é bom.Pelos soberbos e...se fazer de inocente é demais.Um trate deste merece ser...se não paro com a conversa,era capaz de....sei lá o que.Ainda bem que o vi entrar Laert.Alívio...como me senti aliviado naquele momento.Era a esperança feito um raio de sol.Foi bom que viu o que viu e ouviu.
LAERT:--Olha bem pra mim Vair.Bem de frente.
EVAIR:--Por favor!...A..gente se vê por ai.não me faça fazer uma coisa idiota desta.O pastor foi só tomar uma fresca.Já,já está ai.Agora pode me dar lincênça e me deixar passar? (LAERT FICA SÊRIO)
LAERT:--Quantas vezes vem...tem vindo aqui?
EVAIR:--É sssó..on... ontem!!E..Ho..je!
LAERT:-- Tá tremendo Vair.Vai transpirar.Diga só quantas vezes.
EVAIR:--Quer o quê? Se digo a verdade,resume,se minto,resume.
LAERT:-- Fala a verdade.Ah,me esqueci,não sabe o que isto é!Nem como entrou.
EVAIR:--Mas acabei de dizer é a...a verdade.
LAERT:--E furta almas?
EVAIR:--É,o mesmo que furtar objetos.
LAERT:--Nem culpa há?
EVAIR:--Agora vai inocentar esse...esse filho da...safado.Vendeu suas ovelhas por um punhado de sucesso.Inda diz que são ovelhas remendadas.Queria,eu dei...dei,não,vendi.E é próspera a igreja que pediu.É assim que se permuta meu caro.Eu tenho,ele quer,vendo cobrando preço justo.Não dei..nem dou,vendo e bem vendido.
LAERT:--Justo?Jogando no fogo as almas deles.E,jogou com o seu jeito malicioso de jogar,trapaceando.Feito traíra.Enganando e usurprando que é pior.
EVAIR:--Tô entendendo esse seu discurso não. Quem vivi no engano,não sou eu.Não me movo pela cobiça, ou pela inveja.Uso,fomentação.Aumento a fome, pedem sustento eu dou.Não é minha a escolha,é deles.Não sou eu quem busco,são eles.Já disse tenho é dou,mas opreço é o que eu pedir.Nem mais nem menos.
LAERT:--E usa veneno,não é? A ti é permitido ultrapassar os limites? Passar por cima do arbítrio deles negando-lhes uma escolha justa?
EVAIR:--É só pra amaciar.Como a ferruem que roi o ferro.Só,pra amaciar!...Não é,mas a escolha é sempre deles.Dou somente o empurrão.caem por conta própria.
LAERT:--Tem piedade?
EVAIR:--Quem me dera poder ter. Torturar não não torturo.Preciso deles,como precisam de ti.Esse papo é antigo.Tanto eu quanto aos teus,temos o mesmo motivo,e os mesmos desejos.É pegar ou larga.Se bem que se não pegam, o jeito acaba-se sempre no mesmo lugar.E a corda aperta de uma forma ou de outra.
LAERT:--E do Gazofilácio?
EVAIR:--Foi de brincadeira. Ele acreditou?Não diga que aceitou?
LAERT:--Brincadeira né!
EVAIR:--Ainda não acostumaste com o meu jeito brincalhão?No fim me divirto bem.
LAERT:--O que quer em troca?
EVAIR:-- De que?...Pode ser que o Gazofilácio não seja uma soma justa. Depois do tempo escorrido.Das horas de aflição.Do momento final.Quem sabe!...de espera incansável.
LAERT:--É ouro para nós.Quem sabe nem interessa tanto a ti.Diga o preço.
EVAIR:--Ai,a coisa toda se afirma.E o preço é o mesmo.
LAERT:--A prómissoria fica comigo,ou prefere ignorar?
EVAIR:--pró...mis..soria? Tá fando do que?
LAERT:--Sabe muito bem do que? Está no seu poder.
EVAIR:--Vai agora bisbilhotar vidas alheia? Vai agora desandar o fermento?
(EVAIR FICA NERVOSO)
LAERT:--Quem gosta de flores,se precave dos espinhos.Não se colhe rosas sem se precaver dos espinhos meu caro Vair.
EVAIR:--Bobagem!...Não é tão importante assim.Nem correria atrás d'um pingo no meio do nada.Sofreria eu pra que? Por uma bosta de nada? Nem vale tanto trabalho o passe dele.Só de ter que renovar tudo,já me cansa o pensar.
LAERT:--Não entendes o verdadeiro valor do prazer tchau!( LAERT VAI SAIR,MAS ELE O DETÉM)
EVAIR:--Mostre o que é pelo menos.( LAERT,DE LONGE,ABRE A BOLSA,RETIRA DE DENTRO UM ROLO,MOSTRA)-.Quero examinar primeiro ora. ( LAERT,VEM,ENTRGÁ-O O ROLO.ELE LHE DÁ A NOTA PRÓVISORIA,ELE SAI RÁPIDO).-Em branco!!!Tudo em branco! Em branco mesmo! Tapeado!Totalmente tapeado!.Vair ter o troco! Ah, vai ter...

CENA II

PASTOR:--Acompanha-lo como?.E os meus fiéis?
EVAIR:--Quem disse que queremos isto? Aqui fica o senhor.Aqui é o lugar do pastor. Virei visitá-lo sempre que puder.Se eu não poderAlguém vem no meu lugar.Pode ficar sossegado.Sozinho o pastor nunca ficará.
PASTOR:_Quisera eu ver tudo aqui lotado.(FALA COMO SE ESTIVESSE PENSANDO)Uma igreja com poucos membros é igreja.Mas...lotada...a coisa é outra.
EVAIR:--(SEM DAR MUITA ATENÇÃO_...Pensei! Seria inútil convencer o torrão?Seria águas monetárias jorrando em terreno árido?...É ou não é fértil esse torrão?...Vê!..custou-me menos tempo do que o imaginado.Torrões sedem...se a sêde é real e o preço é bom.Se o motivo estiver ao alcance dos dedos...elês não nos decepcionam.Até inventam coisas.
PASTOR:--Ouço,entedo,mas,pouco compreendo.É como o tilintar de um trem ao longe.Apesar do pouco que ouço,acho bom o som.
EVAIR:-- Compreenderá depois da obra feita.E não se arrependerá.Á bons obreiros...paga-se bons salários.E o preço é justo.
PASTOR:--É que a miséria, e a fome ronda... Sei aonde quer chegar.Me fala d'uma sociedade,não é isto?É o jovem que vem com os recursos,nós com a mão de obra.Por que não disse logo!Pra que tanto rodeio?
EVAIR:--Bravo,Pastor!!!..Pastor!!!...Não me basta ter o gerente...A gente tem é que gerenciar bem.Já ouço gritos dos talentos rondando o altar.
PASTOR:--Só pode ter vindo da parte de deus...ele ouviu as minha orações!
EVAIR:--(NÃO TÃO ATENTO)Ouviu?!...Ah,é,ouviu! Vamos caminhar por outro caminho.Deixemos de perder tempo.O sucesso!!!...O sucesso,chegará.Entrará por estas portas.Arrebentando tudo.Contaminando tudo.No lugar que o senhor puzer os pés,será contamido pelo sucesso.E este lugar será santo.
PASTOR:--Ai de mim!Com tanta esperança! Esta igraja já não comporta tanto.Imagina-se o que não pode esperar...mas a sociedade terá de ser justa aos olhos de Deus.Nem é mais uma obrar por fazer?
EVAIR:--É modestia!!!Acabe com esse cheiro de pobreza.Cabeça pra frente.É o sucesso, que nos espera. (ASSIM SEM JEITO DIZ)É...só assinar o contrato.Não...Não mediremos esforsos.Compra-se o que tiver de comprar.Reforma-se o que tiver de reformar. A vida se regala é na prática.
PASTOR:--É tanto dinheiro assim?Aqui se faz é na prática mesmo...Mas,se é novo, devemos esperar o melhor.Arriscar não quer dizer,ah,perdi o melhor!Que então seja o...Não me lembro de ter mencionado um contrato.Ai,a coisa fica....(CORTANDO)
EVAIR:--E,por outro lado pastor...Como sou relaxado! É,este! (MOSTRA O CONTRATO) Depois de asssiná-lo,ninguém mais fica parado..Prejuizo?...Nunca mais! Ovelhas gordinhas!...Casaquinhos...lã! Adeus bucho costurado.Ovelhas sã e sem pudor.Sem contar...(O PASTOR ASSINA O CONTRATO) Aí está...


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